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Hanói, a caótica capital do Vietnã

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    blogviajantee
  • há 5 dias
  • 9 min de leitura

Um roteiro de um dia por uma metrópole vibrante, histórica e cultural.

Hanói (Hà Nội) é o principal centro cultural e político do Vietnã. Situada no norte do país, às margens do majestoso Rio Vermelho, esta metrópole milenar pulsa com uma energia que mistura história profunda e agitação contemporânea. Com uma população de cerca de 8,6 milhões de habitantes, a cidade é mundialmente famosa pelo seu trânsito caótico e hipnotizante de milhões de motos, que tecem o ritmo incessante da vida urbana. Sua história é milenar e essencial para a identidade vietnamita. A cidade, então conhecida como Thăng Long (que significa Dragão Ascendente), substituiu Hoa Lu como capital do Vietnã no ano de 1010, estabelecendo um legado de mais de mil anos que perdura até hoje. O coração de Hanói é o vibrante Bairro Antigo (Old Quarter), um emaranhado de 36 ruas de comércio intenso, contrastado pela tranquilidade do pitoresco Lago da Espada Devolvida, local da mais famosa lenda da cidade. A cidade possui bela arquitetura de estilo colonial francês, legada de seu passado como capital da Indochina Francesa, que confere um charme único a Hanói. Arquitetura esta que contrasta com os pagodes e templos antigos, construídos ainda durante as dinastias dos imperadores vietnamitas. Hanói é uma experiência inesquecível, marcada pela sua deliciosa cultura do café e pela interessante comida de rua, convidando o visitante a uma imersão completa na cultura vietnamita.

Pelas ruas de Hanói
Pelas ruas de Hanói

Chegamos em Hanói através do Aeroporto Internacional de Noi Bai, já  no final do mês dezembro, em plena noite de véspera de Natal, por volta das 22:30. Do aeroporto, pegamos um táxi até nosso hotel (500 mil dongs vietnamitas), localizado próximo ao Bairro Antigo (Old Quarter), o Tunger Premium Hotel & Travel.

No dia seguinte, acordamos cedo, e ainda antes das 7 horas da manhã deixamos nosso hotel em direção ao primeiro dos destinos de visitação na cidade, o Lago da Espada Devolvida (Hồ Hoàn Kiếm). Levou apenas uma centena de metros até o belo lago, com água de cor esverdiada, localizado bem no centro histórico de Hanói. Segundo a lenda, Le Loi (Lê Lợi), o primeiro imperador da Dinastía Le (Nhà Lê), pediu a um deus local, conhecido como Deus Dragão, para que emprestasse sua poderosa espada, de nome Vontade do Céu (Thuận Thiên). De posse da arma mágica, o imperador conseguiu finalmente derrotar os chineses da Dinastia Ming, após 10 anos de conflito, entre 1418 e 1428, libertando assim o Vietnã do domínio chinês. Pouco tempo mais tarde, enquanto navegava no atual lago, o imperador avistou o Deus Tartaruga Dourada (Kim Qui). Este lhe pediu a espada de volta, para ser devolvida a seu mestre, o Deus Dragão.


Lago da Espada Devolvida
Lago da Espada Devolvida

No centro do lago existe uma bela torre, conhecida como Torre Tartaruga (Tháp Rùa). Esta foi construída em 1886, para homenagear o Imperador Le Loi, e a história ocorrida no lago.

Além disso, outro importante ponto turístico, localizado em uma ilhota na parte norte do lago, é o Templo da Montanha de Jade (Đền Ngọc Sơn). Esse local foi construído no século XIX, provavelmente no ano de 1841, sendo expandido no ano de 1865. É dedicado a várias figuras importantes, como Wenchang Dijun, uma divindade taoísta da mitologia chinesa, conhecido como o Deus da Cultura e da Literatura; Guan Yu, um importante general militar chinês, ativo durante o início do século III;  Lü Dongbin, um poeta e estudioso taoísta, que teria vivido por 220 anos; e por fim, Tran Hung Dao (Trần Hưng Đạo), um prícipe e militar vietnamita que viveu entre os anos 1228 e 1300, e teria derrotado por três vezes os mongóis, que tentavam invadir o Vietnã.

Templo da Montanha de Jade
Templo da Montanha de Jade

Para entrar no Templo da Montanha de Jade, ainda fora do lago, passamos por um portão, conhecido como Torre da Caneta (Tháp Bút), além do qual pudemos então comprar o ingresso no valor de 50 mill dongs vietnamitas por pessoa. Pontualmente às 7 horas, o horário de abertura, atravessamos a icônica Ponte Vermelha (Cầu Thê Húc), um dos cartões postais de Hanói.

Torre da Caneta
Torre da Caneta
Ponte Vermelha
Ponte Vermelha

No interior do templo ainda encontramos dois espécimes taxidermizado de Tartaruga Gigante de Casco Mole. Esta espécie rara está ligada à lenda do lago e tem um profundo significado espiritual para o povo vietnamita.


Espécime taxidermizado de Tartaruga Gigante de Casco Mole
Espécime taxidermizado de Tartaruga Gigante de Casco Mole

Depois de conhecer o lago e suas atrações, decidimos então caminhar até o mais famoso café de toda Hanói, o Café Giang (Café Giảng). Foi  Nguyen Van Giang (Nguyễn Văn Giảng), um barman, que trabalhava no Hotel Metropole, quem inventou no ano de 1946, o delicioso Café com Ovo (Cà Phê Trứng). Como o Vietnã estava passando pela Primeira Guerra da Indochina e enfrentava escassez de leite fresco, Giang teve a idéia de utilizar ovo misturado com açúcar e leite condensado em substituição ao leite fresco, conseguindo servir um café cremoso, que agradou o paladar da clientela do hotel, especialmente os francêses. Após deixar seu emprego no hotel, Giang abriu seu próprio estabelecimento no Bairro Antigo de Hanói, sendo ainda hoje pertencente a seus descendentes. Pagamos 40 mil dongs vietnamitas para experimentar essa iguaria no Café Giang. Na minhã opinião, o café acaba ficando muito doce, o que não agradou meu paladar.


Café com Ovo no Café Giang
Café com Ovo no Café Giang

Seguindo nosso roteiro pela cidade, caminhamos até a Catedral de São José (Nhà thờ Lớn Hà Nội). Construída entre 1884 e 1886 sob a inspiração da Notre-Dame de Paris, esta é a principal e mais antiga igreja católica de Hanói. Como era natal, a igreja estava enfeitada, com um enorme pinheiro de natal ao lado.


Catedral de São José
Catedral de São José

Cerca de 650 metros de distância da catedral, chegamos à Prisão de Hoa Lo (Nhà tù Hỏa Lò). Essa prisão foi contruída entre 1896 e 1901, durante o período da Indochina Francesa, e era conhecida pelos francêses como “Maison Centrale”, que a utilizavam para prisioneiros políticos, tendo sido muitos deles torturados e até guilhotinados no interior do local. Mais tarde, durante a famosa Guerra do Vietnã, a prisão foi utilizada pelo Vietnã do Norte para prisioneiros americanos, época em que passou a ser conhecida sarcasticamente como o “Hilton de Hanói”. No ano de 1993, a prisão começou a ser demolida, e atualmente apenas lhe resta seu portão de entrada e uma pequena parte, que abriga um museu em seu interior. O ingresso à prisão custou 50 mil dongs por pessoa, e pudemos em seu interior, comtemplar artefatos e fotos, principalmente dos tempos do colonialismo francês. Nosso sentimento foi de que o governo do Vietnã ocultou do museu, boa parte das torturas e condições precárias a que, durante a época da Guerra do Vietnã e segundo relatos de soldados americanos libertados, os prisioneiros eram submetidos.


Prisão de Hoa Lo
Prisão de Hoa Lo

Para o nosso próximo ponto de visitação em Hanói, caminhamos por cerca de 1,4 quilômetros, até finalmente chegarmos ao Templo da Literatura (Văn Miếu). Esse templo é um complexo de pátios e jardins, uma das mais importantes relíquias históricas do Vietnã, e foi construído em 1070 por Ly Thanh Tong (Lý Thánh Tông), terceiro imperador da Dinastia Ly, em homenagem a Confúcio, um dos mais influentes pensadores da história da China. Seis anos após sua construção, o templo foi transformado na primeira universidade nacional do Vietnã (Quốc Tử Giám), guardando esse título entre os anos de 1076 até 1779, quando foi movida à Cidade Imperial de Hue. Devido a sua grande importância, o Templo da Literatura está representado no verso da nota de 100 mil dongs e para visita-lo, tivemos de pagar o ingresso no valor de 70 mil dongs por pessoa.

Templo da Literatura
Templo da Literatura
Templo da Literatura
Templo da Literatura
Templo da Literatura
Templo da Literatura

Depois de deixarmos o templo, dessa vez caminhamos por cerca de 1,3 quilômetros até chegarmos a Praça Ba Dinh (Quảng trường Ba Đình), uma região da cidade com vários pontos turísticos relacionados ao maior herói do país, Ho Chi Minh (Hồ Chí Minh), considerado o Pai Fundador do Vietnã moderno. Para chegar à praça foi necessário enfrentar uma fila de cerca de 200 metros, que levava até um acesso de segurança, onde nossa mochila teve de passar pelo raio x. Já na praça, o primeiro ponto turístico foi o Museu Ho Chi Minh, construído na década de 1990 e dedicado ao famoso líder político. No interior do museu estão diversos documentos e objetos que pertenceram a Ho Chi Minh e remetem desde a sua infância até sua luta política e morte. O ingresso do museu custa 40 mil dongs por pessoa, mas como ainda tínhamos muitos pontos para visitar em Hanói, optamos por não entrar.


Museu Ho Chi Minh
Museu Ho Chi Minh

Situado imediatamente ao lado do museu, encontramos o Pagode de Um Pilar (Chùa Một Cột), um templo peculiar e de grande beleza. Este local sagrado tem uma história milenar e foi construído inicialmente no ano de 1049, por ordem de Ly Thai Tong (Lý Thái Tông), o segundo imperador da Dinastia Ly, após um sonho com a deusa da misericórdia que o inspirou a erguer uma construção que se assemelhasse a uma flor de lótus emergindo da água. O pagode, que repousa sobre um único pilar de pedra e simboliza um botão de lótus, passou por diversas reconstruções ao longo dos séculos. A estrutura que pode ser admirada hoje é resultado de uma restauração realizada em 1955.

Pagode de Um Pilar
Pagode de Um Pilar

Mais alguns passos de caminhada e chegamos ao Mausoléu de Ho Chi Minh (Lăng Chủ tịch Hồ Chí Minh). Foi no local onde se encontra atualmente esse mausoléu, que Ho Chi Minh leu a Declaração da Independência em 2 de setembro de 1945, estabelecendo a República Democrática do Vietnã. O mausoléu com mais de 20 metros de altura e mais de 40 metros de largura, foi construído entre 1973 e 1975, e abriga em seu interior o corpo embalsamado do líder vietnamita, preservado em um caixão de vidro. Curiosamente, embora Ho Chi Minh desejasse ser cremado e ter suas cinzas espalhadas pelo Vietnã, o Partido Comunista decidiu embalsamá-lo. O objetivo era transformá-lo em um símbolo eterno da nação. Como já era período da tarde quando chegamos ao mausoléu, e ele está aberto apenas pela manhã, não pudemos conhecer seu interior.


Mausoléu de Ho Chi Minh
Mausoléu de Ho Chi Minh

A algumas centenas de metros do mausoléu, e após acessarmos um portão, que nos cobrou o valor de 40 mil dongs por pessoa, chegamos a Casa de Palafitas de Ho Chi Minh. Essa é uma humilde residência, onde o político morou de 1958 até sua morte em 1969.


Casa de Palafitas de Ho Chi Minh
Casa de Palafitas de Ho Chi Minh

Próximo a ela está o atual Palácio Presidencial (Phủ Chủ tịch), cujo edifício foi construído entre 1900 e 1906, para abrigar o governo da Indochina Francesa, mas que atualmente serve de residência do Presidente do Vietnam, o General Luong Cuong (Lương Cường), do Partido Comunista.


Palácio Presidencial
Palácio Presidencial

Deixamos então a região da praça Bah Dinh e caminhamos por 500 metros até chegar a um dos mais belos e importantes templos da cidade, o Templo Quan Thanh (Đền Quán Thánh). Esse templo de religião taoísta, foi construído no século XI, durante o reinado do Imperador Ly Thai To (Lý Thái Tổ). Ele é um dos um dos quatro templos sagrados que protegem a antiga capital de Thang Long, como era chamada a cidade de Hanói antigamente. O templo é dedicado a Tran Vu (ou Xuan Wu, em chinês), uma das principais divindades do taoísmo. A entrada ao templo custa 10 mil dongs, mas optamos por apenas contemplar seu exterior e seu belo portão de entrada.


Templo Quan Thanh
Templo Quan Thanh

Do templo, mais 900 metros de caminhada até finalmente chegar ao Pagode Tran Quoc (Chùa Trấn Quốc). Esse é considerado o mais antigo templo busdista de Hanói, e foi originalmente construído entre 544 e 548, durante o reinado do imperador Lý Nam Đế, fundador da Dinastia Lý Anterior. O pagode, com seus 11 andares, cada um possuindo uma estátua de Buda, fica localizado em uma pequena ilhota no Lago Oeste (Hồ Tây). A entrada ao templo foi gratuita.


Pagode Tran Quoc
Pagode Tran Quoc

O final da tarde se aproximava, logo partimos do pagode utilizando um Grab (47.840 dongs vietnamitas) para vivenciar um dos momentos mais icônicos da capital vietnamita: a Rua do Trem de Hanói (Hanoi Train Street). O local é famoso por ser um trecho ativo da linha ferroviária que serpenteia por estreitas áreas residenciais no coração da cidade. Ali, casas e pequenos cafés estão construídos a apenas centímetros dos trilhos. A dinâmica é surreal, quando o trem se aproxima, tanto os moradores quanto a grande quantidade de turistas precisam se mover rapidamente, encostando-se nas paredes para permitir que a locomotiva passe.


Rua do Trem de Hanói
Rua do Trem de Hanói

Assim que entramos na rua, escolhemos um dos vários restaurantes e bares do local e fizemos nosso pedido: Banh Mi, o tradicional baguete vietnamita, herança do colonialismo francês, acompanhado de uma refrescante Cerveja Hanoi. Por volta das 6 horas da tarde, a expectativa se transformou em adrenalina. Os primeiros sinais foram as buzinas do trem, rapidamente seguidas pela sua presença imponente. Dezenas, talvez centenas de turistas, imediatamente pegaram seus celulares para registrar o momento. O espetáculo dura apenas alguns minutos, mas é, sem dúvida, um dos pontos altos da experiência em Hanói.


Bahn Mi e Cerveja Hanoi na Rua do Trem de Hanói
Bahn Mi e Cerveja Hanoi na Rua do Trem de Hanói

Já era noite quando deixamos a Rua do Trem, mas ainda tínhamos energia para uma última atração na cidade. Nos deslocamos até a Rua Ta Hien (Phố Tạ Hiện), conhecida popularmente como Rua da Cerveja de Hanói (Hanoi Beer Street). Localizada no coração do Bairro Antigo (Old Quarter), é aqui que fica o epicentro da vida noturna de Hanói, com uma enorme quantidade de bares e restaurantes super movimentados, que servem Bia hoi, cerveja artesanal vietnamita leve e barata, servida fresca e na torneira em pequenas lanchonetes e bares, que colocam suas mesas e cadeiras sobre as calçadas e até na rua gerando um curioso movimento de 'recolhe e espalha' sempre que a polícia passa para fiscalizar a ocupação do espaço público. Na rua ainda tivemos a oportunidade de experimentar outra das populares cervejas do país, a Halida.


Experimentando a Cervaja Halida na Rua da Cerveja de Hanói
Experimentando a Cervaja Halida na Rua da Cerveja de Hanói

Degustamos na rua nossas últimas cervejas do dia, antes de retornar ao nosso hotel e assim concluir nosso roteiro por esse cidade impressionante.

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