top of page

História das Maldivas

  • Foto do escritor: blogviajantee
    blogviajantee
  • 14 de mar.
  • 5 min de leitura

A história das Maldivas é milenar e, embora envolta em mistérios, as evidências apontam que seus primeiros habitantes, conhecidos como Dheyvis, chegaram ao arquipélago vindos do noroeste da Índia por volta dos séculos VI ou V a.C. Esse povo pioneiro trouxe consigo rituais ancestrais e a influência da religião hindu para as ilhas. Paralelamente, outra migração fundamental foi a dos Dravidianos, oriundos do sul da Índia e do Sri Lanka. Compostos majoritariamente por exímios pescadores e navegadores, os dravidianos exerceram uma influência profunda no modo de vida das comunidades locais. Dentre os povos dravidianos, destacam-se os Giraavaru, considerados os habitantes aborígenes da região de Malé, atual capital do país. Em um momento posterior, migrantes de origem Cingalesa, que haviam colonizado o Sri Lanka, estabeleceram-se nas Maldivas, exercendo papel predominante na formação do Dhivehi, o idioma oficial do país, e introduzindo o Budismo, religião que passou a coexistir com o hinduísmo até gradualmente substituí-lo como a fé predominante do reino.

Segundo as ricas tradições orais, as raízes da monarquia maldiva teriam sido fundadas por volta do século III a.C. pelo lendário príncipe Sri Soorudasaruna Adeettiya. Filho de um poderoso rei do noroeste da Índia, ele partiu em direção ao sul com sua frota e seguidores após ser exilado devido à fúria de seu pai. Ao desembarcar nas ilhas, o príncipe estabeleceu-se entre os Dheyvis e fundou o lendário Reino de Dheeva Maari, uma nação que se estendia por todo o arquipélago sob a Primeira Dinastia Solar (Adeetta Vansa), nome inspirado em Aditya, o deus Sol no hinduísmo. Assim, a liderança de Adeettiya consolidou a união entre a realeza exilada e os povos ancestrais, transformando os atóis em um reino unificado.

A soberania da Dinastia Solar perdurou por cerca de quatorze séculos, moldando a identidade espiritual e política do arquipélago por meio do hinduísmo e, posteriormente, do budismo. O ciclo desta linhagem encerrou-se com o Rei Ranna Maari, o último monarca homem da dinastia. Como ele não deixou herdeiros do sexo masculino, após sua morte por volta do ano 1050, a sucessão recaiu sobre sua filha, a princesa Kalui Kamalhin, legítima herdeira da linhagem solar. Seu casamento com o nobre Balaadheethiya, um príncipe de linhagem lunar vindo da Índia, foi o marco da transição de poder: essa união matrimonial permitiu que Balaadheethiya ascendesse ao trono, dando início à Dinastia Lunar no Reino de Dheeva Maari.

Porém, a história da dinastia solar, bem como o início da história da dinastia lunar, não apresentam fontes arqueológicas ou escritas que as comprovem. Os primeiros registros arqueológicos e escritos mostram que a unificação do reino maldivo teria acontecido no início do século XII, e seria atribuída ao Rei Koimala, que teria vindo do Sri Lanka e se estabelecido em Malé. Com a permissão dos nativos Giraavaru, o rei fez da ilha de Malé a sede do seu palácio e, a partir dali, centralizou politicamente o Reino de Dheeva Maari.

Embora o Rei Koimala tenha consolidado a unificação política em Malé, a transformação cultural definitiva das Maldivas ocorreria sob o reinado de seu descendente, Dhovemi Kalaminja. Em 1153 d.C., o monarca converteu-se ao Islã, encerrando o período budista no arquipélago e estabelecendo o sultanato que definiria a fé e os costumes do país até os dias atuais.Acredita-se que a conversão tenha sido motivada pela forte influência dos comerciantes árabes que percorriam as rotas marítimas do Oceano Índico, somada à lenda de Abul Barakat Yoosuf Al-Barbari, um estudioso muçulmano que teria livrado a ilha de um demônio marinho através da recitação do Alcorão. Esse marco histórico estabeleceu o sultanato e consolidou a fé e os costumes que definem a identidade e a cultura do país até os dias atuais.

O capítulo seguinte da história maldiva ocorreu no século XVI, mais precisamente em 1558, quando o Império Português estabeleceu uma colônia no arquipélago. No entanto, o domínio lusitano durou pouco, em 1573, o líder local Muhammad Thakurufaanu-al-A'uzam, acompanhado de seus dois irmãos, Ali e Hassan, liderou uma bem-sucedida revolta popular que expulsou os invasores das ilhas. Graças ao seu papel decisivo na libertação do território, Muhammad Thakurufaanu foi eleito sultão naquele mesmo ano, tornando-se uma figura central na soberania das Maldivas.

Em 1658, os holandeses estabeleceram seu domínio sobre as ilhas, substituindo a influência portuguesa. Essa ocupação perdurou até 1796, quando, pressionados por revoltas internas e pela crescente hegemonia britânica na região, os holandeses foram expulsos. O vácuo de poder foi preenchido pelo Reino Unido, que formalizou as Maldivas como um protetorado britânico em 1887. Sob este acordo, os britânicos garantiam a defesa militar do arquipélago, enquanto se comprometiam a não interferir nos assuntos internos e a respeitar a continuidade do sultanato muçulmano.

A estrutura monárquica sofreu um abalo significativo após o falecimento do Sultão Abdul Majeed Didi. Em 1952, as Maldivas experimentaram sua primeira transição para o modelo republicano com a eleição de Mohamed Amin Didi. No entanto, a mudança foi efêmera e impopular; em 1953, com o esmagador apoio de 98% da população em referendo, o sultanato foi restaurado, levando ao trono Muhammad Fareed Didi (filho do príncipe herdeiro do antigo sultão).

A tutela britânica chegou ao fim em 26 de julho de 1965, data em que foi assinada a independência total do país. Três anos depois, em 1968, um novo referendo aboliu o sultanato definitivamente, estabelecendo a Segunda República com Ibrahim Nasir como o primeiro presidente desta nova era. Nasir foi o grande responsável por modernizar as Maldivas e abrir o país ao turismo, mas seu governo foi abalado por uma grave crise econômica ao final do seu segundo e último mandato.

Em 1978, Nasir foi sucedido por Maumoon Abdul Gayoom, que consolidou sua liderança por três décadas. Gayoom governou sob um sistema de candidatura única e indicação parlamentar, sendo reeleito cinco vezes consecutivas e permanecendo no poder até a transição democrática de 2008. Seu longo governo foi marcado por profundas controvérsias, com diversos relatos de intimidação a adversários políticos, prisões arbitrárias e casos de tortura, o que gerou forte pressão internacional por reformas políticas no arquipélago.

A partir de 2008, as Maldivas entraram em uma nova era com as primeiras eleições multipartidárias, que resultaram na vitória de Mohamed Nasheed (2008–2012). Desde o fim da era Gayoom, o país passou por um período de intensa alternância de poder, totalizando cinco presidentes até o momento, além de Nasheed, governaram Mohamed Waheed Hassan (2012–2013), Abdulla Yameen (2013–2018) e Ibrahim Mohamed Solih (2018–2023). Atualmente, o país é liderado por Mohamed Muizzu, que assumiu a presidência em novembro de 2023.

Um marco fundamental da história recente das Maldivas ocorreu em 2009, quando o governo finalmente autorizou a abertura das ilhas locais para o turismo. Até então, os visitantes ficavam restritos aos resorts em ilhas privativas; essa mudança permitiu a criação de hotéis e pousadas (guesthouses) em comunidades nativas, como Dhigurah, transformando a economia local e possibilitando que viajantes vivenciassem a cultura autêntica das Maldivas.

Comentários


  • White Facebook Icon

Facebook

  • White Instagram Icon
  • White Pinterest Icon

Pintrest

  • White Twitter Icon

Twitter

20200712_181351%5B1%5D_edited.jpg

Sobre mim...

Olá! Meu nome é Ednei, sou Engenheiro, amante de viagens, vinhos e cervejas artesanais, além de blogueiro amador...

 

Leia mais!

 

Receba as atualizações do blog por email...

Obrigado por se cadastrar!

© 2020 by Blog Viajantee!

  • White Facebook Icon
bottom of page