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Ho Chi Minh, o coração econômico e financeiro do Vietnã

  • Foto do escritor: blogviajantee
    blogviajantee
  • 18 de jan.
  • 8 min de leitura

Um roteiro de dois dias pela antiga capital do Vietnã do Sul.

A Cidade de Ho Chi Minh (Hồ Chí Minh) é o vibrante coração econômico e financeiro do Vietnã. Localizada no sul, às margens do Rio Saigon e perto do delta do Mekong, esta metrópole é a cidade mais populosa do país, abrigando uma população que ultrapassa os 9,5 milhões de habitantes.

Historicamente conhecida como Saigon, a cidade foi a capital do Vietnã do Sul de 1955 a 1975, durante o período de divisão do país. Foi somente após a Queda de Saigon, em abril de 1975, que a cidade foi oficialmente rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh, uma homenagem ao líder revolucionário vietnamita. No entanto, o nome "Saigon" continua sendo amplamente utilizado no dia a dia pelos habitantes locais e internacionalmente, mantendo viva a memória de sua identidade histórica.


Estátua de Ho Chi Minh na Rua Nguyen Hue
Estátua de Ho Chi Minh na Rua Nguyen Hue

A cidade oferece um contraste fascinante entre a grandiosidade legada pela arquitetura colonial francesa, visível em edifícios icônicos como a Catedral de Notre-Dame e o Correio Central, e a modernidade imponente de arranha-céus como o Bitexco Financial Tower. Após visitar tanto a capital quanto o sul, torna-se impossível não comparar a Cidade de Ho Chi Minh com Hanói. Nesta comparação, nota-se que Ho Chi Minh é muito mais moderna e tecnológica. Essa disparidade visual e infraestrutural pode ser justificada pelas heranças políticas distintas de cada região: o passado capitalista de Ho Chi Minh e do antigo Vietnã do Sul, em contraposição ao legado comunista de Hanói e do Vietnã do Norte.

Tal como em Hanói, a vida urbana é dominada por um trânsito intenso e hipnotizante de milhões de motos. Contudo, esta metrópole é também um verdadeiro paraíso para compras, com várias lojas de grifes de luxo internacionais.

Após visitar a encantadora Hoi An, partimos do Aeroporto de Da Nang (DAD) e, em uma hora e meia de voo, aterrissamos já tarde da noite no Aeroporto Tan Son Nhat (SGN), em Ho Chi Minh. De lá, solicitamos um carro via Grab para nos levar ao nosso hotel para as próximas quatro noites, o Woody House Saigon Center, localizado estrategicamente no Distrito 1, onde a maioria das atrações da cidade estão localizadas. O trajeto de cerca de 8 quilômetros foi rápido, levando apenas 20 minutos e custando 230 mil dongs vietnamitas.

No dia seguinte, iniciamos a exploração da cidade já no meio da manhã, dirigindo-nos ao Mercado de Ben Thanh (Chợ Bến Thành), que fica a apenas 650 metros de nosso hotel. A origem do mercado remonta ao século XVII, quando vendedores de rua se reuniam para comercializar seus produtos. O edifício atual, um importante marco de Ho Chi Minh City, foi construído entre 1912 e 1914 em uma área estratégica próxima ao rio e à antiga citadela, o que deu origem ao seu nome: "Bến" (porto) e "Thành" (citadela). Atualmente, o mercado é o mais vital e importante da cidade, atuando como um vasto centro comercial onde se vende de tudo. Em seu interior, há uma grande variedade de produtos, que vão desde especiarias, frutas, e famosa comida de rua local, até roupas, lembranças e artesanato, atendendo tanto turistas quanto moradores locais em busca de uma experiência de compra vibrante. Utilizamos o mercado para comprar belos souvenirs para levar pra casa.


Mercado de Ben Thanh
Mercado de Ben Thanh

Após a visita ao Mercado de Ben Thanh, seguimos por uma caminhada de aproximadamente 600 metros até a Rua de Pedestres Nguyen Hue (Phố đi bộ Nguyễn Huệ). Esta é, sem dúvida, uma das vias mais emblemáticas da Cidade de Ho Chi Minh. É aqui que se encontra o notável monumento em homenagem ao controverso herói nacional e líder revolucionário, a Estátua de Ho Chi Minh, que se eleva a 7,2 metros de altura. O monumento está estrategicamente posicionado em frente a outro marco icônico da cidade: o Edifício do Comitê do Povo da Cidade de Ho Chi Minh (Trụ sở Ủy ban Nhân dân Thành phố Hồ Chí Minh). Este impressionante exemplar da arquitetura colonial francesa, construído entre 1898 e 1909, atualmente serve como sede do governo municipal.


Estátua de Ho Chi Minh e Edifício do Comitê do Povo da Cidade de Ho Chi Minh
Estátua de Ho Chi Minh e Edifício do Comitê do Povo da Cidade de Ho Chi Minh

A partir da Rua Nguyen Hue, é possível admirar a silhueta da moderna Bitexco Financial Tower, um dos arranha-céus mais reconhecíveis da cidade. Com seus 262,5 metros de altura (68 andares acima do solo e três níveis subterrâneos), a torre foi projetada pelo renomado arquiteto ítalo-americano Carlos Zapata e construída entre 2007 e 2010 para uso corporativo e comercial. Sua distinção reside no formato singular, inspirado na flor de lótus (búp sen), a flor nacional vietnamita, e, principalmente, no seu traço mais famoso: o heliponto saliente que se projeta audaciosamente para fora do edifício, na altura do 52º andar.


Bitexco Financial Tower vista da Rua Nguyen Hue
Bitexco Financial Tower vista da Rua Nguyen Hue

Após deixarmos a movimentada Rua Nguyen Hue, bastou uma breve caminhada de menos de 200 metros para chegarmos à imponente Ópera de Ho Chi Minh (Nhà hát Thành phố Hồ Chí Minh), um dos mais belos ícones arquitetónicos da cidade; esta magnífica estrutura é um testemunho do período colonial francês, tendo sido erguida entre 1898 e 1900, e impressiona pela sua deslumbrante fachada de arquitetura tradicional francesa no estilo Belle Époque. Embora o seu interior seja bastante imponente, contando com um auditório com capacidade para cerca de 500 lugares, nos contentamos em admirar apenas a sua notável fachada externa, visto que é necessário comprar ingressos para os shows para poder visitá-lo.


Ópera de Ho Chi Minh
Ópera de Ho Chi Minh

Nossa próxima parada foi no Correio Central de Saigon (Bưu điện Trung tâm Sài Gòn), localizado a apenas 550 metros da Ópera, sendo mais um dos monumentos da cidade erguido durante o período colonial francês, especificamente entre 1886 e 1891. Este impressionante edifício é obra do arquiteto Alfred Foulhoux, e não do frequentemente citado Gustave Eiffel, que foi o responsável por projetar a estrutura que existia anteriormente no local.


Correio Central de Saigon
Correio Central de Saigon

Ao entrar no Correio Central, que lembra a arquitetura de uma grandiosa estação de trens europeia, testemunhamos seu pleno funcionamento. Aproveitamos a oportunidade única para enviar um cartão-postal para nossa casa (na Alemanha), carimbado com o selo do histórico correio, para guardar como souvenir. O custo total do envio foi de apenas 65 mil dongs pelos dois selos que devem ser colados no cartão postal. Também gastamos 55 mil dongs por um belo cartão postal do Vietnã.


Enviando cartão-postal do Correio Central de Saigon
Enviando cartão-postal do Correio Central de Saigon

Logo ao lado do edifício do correio fica a mais importante igreja de Ho Chi Mihn, a Catedral de Notre Dame (Nhà thờ Đức Bà Sài Gòn), construída entre 1877 e 1880 com duas enormes torres que atingem impressionantes 58 metros de altura. Infelizmente, durante nossa visita, o imponente exterior da igreja estava em reformas, limitando nossa contemplação. Em frente à fachada, encontra-se a bela Estátua de Nossa Senhora da Paz, instalada em 1959, momento a partir do qual a igreja passou a ser conhecida como "Notre-Dame"; antes disso, ela era chamada simplesmente de Catedral de Saigon.


Catedral de Notre Dame
Catedral de Notre Dame

Em seguida, nos dirigimos a outra importante via da cidade, a Rua dos Livros (Đường Sách Nguyễn Văn Bình). Este encantador espaço pedonal não só abriga um grande número de livrarias e estandes de editoras, mas também oferece deliciosos cafés.


Rua dos Livros
Rua dos Livros

Com o final da tarde se aproximando, optamos por conhecer um último ponto antes de retornar ao hotel, caminhando por pouco mais de 500 metros até o Palácio da Independência (Dinh Thống Nhất), hoje conhecido como Palácio da Reunificação. O palácio original, conhecido como Palácio Norodom, havia sido construído pelos franceses em 1868 e servia como residência e local de trabalho do Presidente do Vietnã do Sul, Ngo Dinh Diem (Ngô Đình Diệm). Em 1962, o Palácio Norodom foi bombardeado por dois pilotos rebeldes da própria Força Aérea do Vietnã do Sul. Sem chances de recuperá-lo devido aos danos, o palácio foi demolido, e um novo edifício, o atual Palácio da Independência, foi construído e inaugurado em 1966. O local se tornou famoso em 30 de abril de 1975 por ser o ponto exato onde a Guerra do Vietnã terminou oficialmente, quando tanques do Vietnã do Norte romperam seus portões, consolidando a vitória sobre o Vietnã do Sul.


Palácio da Independência
Palácio da Independência

Atualmente, nos jardins do palácio, é possível ver réplicas dos tanques históricos, o 843, modelo T43B, de faricação soviética; e o 390, modelo Type 59, de fabricação chinesa, que atravessaram os portões naquele dia. O ingresso para visitar o interior do palácio custou 80 mil dongs por pessoa, um investimento irrisório perante o peso histórico do local.


Réplica do Tanque 843
Réplica do Tanque 843
Réplica do Tanque 390
Réplica do Tanque 390

Era o último dia de 2025, e estávamos ansiosos para vivenciar a virada de ano na cidade. Após uma breve parada no hotel para nos prepararmos, seguimos direto para a Rua Nguyen Hue, o palco principal das celebrações em Ho Chi Minh. É surpreendente notar que, embora o Vietnã siga oficialmente o calendário lunar, eles celebram o Réveillon ocidental com enorme entusiasmo. Tivemos a oportunidade de assistir, de forma totalmente gratuita, a apresentações de grandes ícones da música local, com destaque para o cantor Soobin, aclamado como o "Príncipe do V-Pop" (a versão vietnamita do fenômeno K-Pop).

Na manhã seguinte, começamos o passeio caminhanto por 900 metros do hotel até o Monumento Thich Quang Duc (Tượng đài Thích Quảng Đức). O monumento está localizado no exato cruzamento onde, em 1963, o monge budista Thich Quang Duc realizou a autoimolação, um protesto mundialmente notório contra a perseguição religiosa do governo do Presidente Ngo Dinh Diem, um católico fervoroso, no Vietnã do Sul. A peça central do monumento inaugurado em 2010, é uma impressionante estátua de bronze que retrata o monge na posição de lótus, simbolizando a profunda serenidade e determinação demonstradas no momento do ato, o qual ficou imortalizado pela fotografia icônica tirada pelo jornalista Malcolm Browne, que chocou a opinião pública global.


Monumento Thich Quang Duc
Monumento Thich Quang Duc

Do monumento foram mais 900 metros de caminhada até o Museu Vestígios da Guerra (Bảo tàng Chứng tích Chiến tranh), um dos locais mais importantes e emocionantes de Ho Chi Minh. Este museu oferece uma perspectiva vietnamita crucial sobre os horrores e as consequências da Guerra do Vietnã (conhecida localmente como "Guerra Americana").


Aviões Cessna U-17 e Douglas A-1H Skyraider no Museu Vestígios da Guerra
Aviões Cessna U-17 e Douglas A-1H Skyraider no Museu Vestígios da Guerra

A visita ao museu se iniciou já no pátio exterior, onde encontramos uma coleção de equipamentos militares pesados, a maioria capturada das forças dos EUA e do Vietnã do Sul. Entre eles destaco o avião de reconhecimento Cessna U-17, o avião de ataque Douglas A-1H Skyraider, o veloz tanque M.41, os jeeps M151-A2 e CJ-3B (o meu favorito), o caça a jato supersônico Northrop F-5A Freedom Fighter, o lança-chamas M.132 A1 e até um trator de esteira D.7 E, que era utilizado para abrir estradas em meio a densa mata vietnamita.


Tanque M.41 no Museu Vestígios da Guerra
Tanque M.41 no Museu Vestígios da Guerra
Jeeps M151-A2 e CJ-3B no Museu Vestígios da Guerra
Jeeps M151-A2 e CJ-3B no Museu Vestígios da Guerra
Caça Northrop F-5A Freedom Fighter no Museu Vestígios da Guerra
Caça Northrop F-5A Freedom Fighter no Museu Vestígios da Guerra
Lança-chamas M.132 A1 no Museu Vestígios da Guerra
Lança-chamas M.132 A1 no Museu Vestígios da Guerra
Trator de esteira D.7 E no Museu Vestígios da Guerra
Trator de esteira D.7 E no Museu Vestígios da Guerra

No interior do museu encontramos inúmeras fotos, que documentam as atrocidades da guerra, sendo particularmente impactante a sala dedicada às consequências do Agente Laranja, a arma química utilizada pelos Estados Unidos. Também no interior, exemplares de metralhadoras, rifles, lança-granadas, basucas, bombas e munições. Passamos mais de duas horas explorando o museu, cuja entrada nos custou 40 mil dongs por pessoa.


Coleção de armas do Museu Vestígios da Guerra
Coleção de armas do Museu Vestígios da Guerra

De lá, voltamos ao nosso hotel para descansar e tomar banho, antes de sair para aproveitar o agito da Rua Bui Vien (Phố Bùi Viện), o coração pulsante da vida noturna de Ho Chi Minh. Famosa entre viajantes, ela é carinhosamente apelidada de "Khao San de Saigon", em referência à icônica rua de Bangkok. Ao anoitecer, o local se transforma numa intensa rua pedonal, onde uma sinfonia caótica de música eletrônica alta emana de inúmeros bares e restaurantes. A experiência é essencialmente social, com pessoas de todo o mundo sentadas em pequenas cadeiras de plástico na calçada. A grande obrigação local é desfrutar da incrivelmente barata "Bia Hơi" (a cerveja local, fresca e de pressão), enquanto se observa o frenético e ininterrupto movimento da capital econômica do Vietnã.

A noite na rua marcou o fim da jornada pelos principais pontos turísticos de Ho Chi Minh. Nossa aventura vietnamita, contudo ainda não termina aqui! Para o nosso último dia no país, reservamos um passeio pelo místico Delta do Mekong e uma visita aos subterrâneos históricos dos Túneis de Cu Chi. Mas isso já é tema do próximo post!

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