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Prizren, a mais bela cidade do Kosovo

  • Foto do escritor: blogviajantee
    blogviajantee
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura

Um roteiro de meio dia pela capital cultural e histórica do Kosovo.

Localizada no sopé das montanhas Sharri, no sul do país e próxima à fronteira com a Albânia, Prizren é amplamente considerada a capital cultural e histórica do Kosovo. Com uma população de aproximadamente 180 mil habitantes, a cidade oferece um contraste encantador com o ritmo frenético de Pristina; aqui, a pressa dá lugar ao som relaxante do Rio Lumbardhi e ao bater de passos sobre o calçamento de pedra secular. Prizren é o maior exemplo de multiculturalismo no país, sendo um local onde o albanês, o turco e o bósnio convivem harmoniosamente no dia a dia. Sua beleza não reside no caos moderno, mas na preservação de um cenário de conto de fadas: um mar de telhados vermelhos, minaretes elegantes e igrejas medievais, tudo vigiado por uma imponente fortaleza que domina o horizonte. É uma cidade feita para ser contemplada sem pressa, onde cada esquina revela um pouco da alma balcânica.

A história de Prizren é um mosaico de impérios que deixaram marcas profundas em sua arquitetura. Suas raízes remontam à era romana, quando era conhecida como Theranda, mas foi sob o domínio bizantino e, posteriormente, no Império Otomano (a partir do século XV), que a cidade atingiu seu apogeu como um próspero centro comercial e administrativo. Ao contrário da capital, Prizren conseguiu preservar grande parte de seu núcleo otomano das demolições da era iugoslava, mantendo vivo o traçado de seu antigo bazar. No século XIX, a cidade tornou-se o epicentro do renascimento nacional albanês com a formação da Liga de Prizren, um movimento político crucial para a identidade da região. Apesar de ter enfrentado períodos de tensão durante os conflitos dos Bálcãs, a cidade hoje se destaca como um símbolo de coexistência e preservação, sendo o palco de festivais internacionais de cinema e arte que celebram seu espírito criativo e resiliente.

Após visitarmos a capital, Pristina, durante a manhã, iniciamos, por volta das 13h30, o percurso de aproximadamente 85 quilômetros até Prizren. A viagem foi extremamente tranquila pela rodovia R7, uma via de excelente qualidade que serpenteia entre montanhas e vales, permitindo completar o trajeto em pouco mais de uma hora. Ao chegarmos ao destino, no entanto, enfrentamos um intenso congestionamento e encontramos dificuldade para estacionar próximo ao centro histórico. Após circularmos pela área algumas vezes e passarmos por diversos estacionamentos lotados, finalmente conseguimos deixar nosso carro alugado no Parking MONI, situado a poucos passos da zona histórica, pelo valor de apenas 6 euros por 3 horas.

Com o carro estacionado, optamos por seguir imediatamente ao ponto mais movimentado da cidade, caminhando por cerca de 150 metros até a Antiga Ponte de Pedra (Ura e Gurit), que atravessa o Rio Lumbardhi. Construída entre o final do século XV e o início do século XVI, a ponte possui três arcos e é um símbolo da resiliência de Prizren. Em 1979, uma enchente catastrófica destruiu quase completamente a estrutura original, mas, devido ao seu imenso valor histórico, ela foi meticulosamente reconstruída em 1982, utilizando as mesmas pedras recuperadas do leito do rio.


Antiga Ponte de Pedra
Antiga Ponte de Pedra

Da ponte, é possível observar, no topo da colina que margeia a cidade, a Fortaleza de Prizren (Kalaja e Prizrenit). Embora suas fundações remontem à Idade do Bronze, a fase de expansão medieval começou em 1019, sob o comando do Imperador Bizantino Basílio II, que consolidou a fortificação após derrotar o Primeiro Império Búlgaro. Ao longo dos séculos, entre 1019 e 1864, a fortaleza foi o palco central de inúmeras batalhas, servindo como baluarte defensivo durante as invasões otomanas no século XV e como ponto estratégico nas revoltas locais contra o domínio imperial no século XIX.


Fortaleza de Prizren vista da Antiga Ponte de Pedra
Fortaleza de Prizren vista da Antiga Ponte de Pedra

Infelizmente, para visitar a fortaleza, é necessário encarar uma subida íngreme e, como o meio da tarde se aproximava, avaliamos que não seria a melhor estratégia subir naquele momento. Optamos, então, por sentar na Praça Shadervan (Sheshi Shadërvan), localizada a apenas 20 metros após a Ponte de Pedra. Esta praça, cujo nome deriva da palavra turca para "fonte", é o centro social de Prizren desde o período otomano. Em seu centro, encontra-se a icônica fonte de água potável e, ao redor, dezenas de bares e cafés. Não perdemos tempo e escolhemos um desses estabelecimentos para degustar a Peja, a cerveja local mais famosa do Kosovo.

Depois de descansarmos na praça, caminhamos apenas 100 metros para visitar a majestosa Mesquita Sinan Pasha (Xhamia e Sinan Pashës). Finalizada em 1615 por ordem de Sofi Sinan Pasha, um importante estadista otomano de origem albanesa que serviu como Beilerbei na Bósnia e na Rumélia, a mesquita é o marco visual mais forte da cidade. Um detalhe histórico fascinante é que sua construção utilizou pedras retiradas das ruínas do Mosteiro dos Santos Arcanjos, um complexo fundado pelo Imperador sérvio Estêvão Dušan entre 1343 e 1352 para ser seu local de sepultamento. O mosteiro, que ficava a poucos quilômetros da cidade, era uma das maiores obras da arquitetura sérvia medieval antes de ser abandonado e desmantelado após a chegada dos otomanos. Hoje, o minarete de 43 metros de altura da mesquita e suas cúpulas imponentes dominam o horizonte.


Mesquita Sinan Pasha vista da Antiga Ponte de Pedra
Mesquita Sinan Pasha vista da Antiga Ponte de Pedra

Após mais 350 metros de caminhada, cruzamos novamente a Ponte de Pedra até chegar ao Hammam de Prizren, também conhecido como Hammam de Gazi Mehmed Pasha (Hamami i Gazi Mehmed Pashës). Construído pelo comandante otomano Gazi Mehmed Pasha entre 1563 e 1574, este banho turco é um dos maiores dos Bálcãs.


Hammam de Prizren
Hammam de Prizren

Nossa última parada foi na Igreja de Nossa Senhora de Ljeviš (Kisha e Shën Premtes / Crkva Bogorodica Ljeviška), alcançada após 500 metros de caminhada partindo do Hammam. Esta joia da arquitetura ortodoxa sérvia em estilo bizantino foi construída entre 1306 e 1309 sobre as fundações de uma basílica do século IX. Considerada o monumento de maior importância histórica da cidade, foi inscrita na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 2006, integrando o grupo dos "Monumentos Medievais no Kosovo". Famosa por seus raros afrescos, a igreja permanece cercada por arame farpado, um lembrete dos violentos distúrbios de março de 2004. Durante aquela onda de violência étnica, o templo foi alvo de ataques e incêndios que danificaram severamente seu interior, o que levou a UNESCO a incluí-la também na lista do Patrimônio Mundial em Perigo.


Igreja de Nossa Senhora de Ljeviš
Igreja de Nossa Senhora de Ljeviš

Era o momento de concluir nosso roteiro, levando conosco as imagens de uma cidade que soube preservar sua alma através dos séculos. Retornamos ao estacionamento (cerca de 650 metros de caminhada a partir da igreja) por volta das 18h. A viagem de volta a Escópia levou cerca de 1 hora e 45 minutos pela rodovia R6, encerrando um dia intenso que nos permitiu desvendar as complexas facetas da nação mais jovem da Europa.

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