Túneis de Cu Chi, a cidade subterrânea dos vietcongues e Delta do Mekong, o celeiro do Vietnã
- blogviajantee

- 21 de jan.
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Um roteiro bate-volta a partir de Ho Chi Minh para fazer um dos passeios mais diferentes do sul do Vietnã.
Depois de conhecer a movimentada Ho Chi Minh por dois dias, em nosso terceiro e último dia na cidade, que também seria nosso último dia no país, escolhemos fazer um passeio para desvendar os históricos Túneis de Cu Chi e o exuberante Delta do Mekong. Para otimizar nosso tempo e garantir que pudéssemos cobrir os dois locais em um único dia, reservamos um tour bate-volta completo através do site klook.com. Este passeio organizado oferecia a conveniência de um serviço de busca diretamente em nosso hotel em Ho Chi Minh e ainda possuía um excelente custo-benefício, 30 dólares americanos por pessoa, com transporte, entradas para ambos os locais de visitação e almoço, inclusos no preço.
No dia do passeio, pouco depois das 7 da manhã, nosso ônibus já passava nos buscar em nosso hotel para iniciarmos a jornada. O percurso até o primeiro destino, os Túneis de Cu Chi, cobriu aproximadamente 50 quilômetros e levou pouco mais de duas horas, com uma rápida parada para descanso no meio do caminho.
Os Túneis de Cu Chi (Địa đạo Củ Chi) eram pequenos túneis construídos nos anos 1940 por camposeses combatentes do Viet Minh (que lutavam contra a colonização francesa). Inicialmente, eram apenas pequenos esconderijos individuais para ocultar armas, documentos e pessoas durante batidas francesas. Mais tarde, esse túneis foram interligados até se tornarem um complexo subterrâneo absolutamente impressionante e que teve um papel crucial durante a Guerra do Vietnã. Os túneis se transformaram em uma verdadeira cidade subterrânea, cuja função primordial passou a ser a proteção contra os incessantes ataques aéreos americanos. Contudo, a rede de passagens também servia de moradia, abrigava enfermarias para cuidar dos combatentes feridos e funcionava como centros de comando e depósitos de suprimentos.

Durante o auge do conflito, a engenhosidade dos vietcongues (também conhecidos como Frente Nacional para a Libertação do Vietnã), a guerrilha comunista que combateu o governo do Sul e as forças americanas, construiu uma malha que chegou a ultrapassar 250 quilômetros de extensão. Além dessa vasta rede de túneis, que permitia aos combatentes desaparecer e surgir em locais inesperados, os vietcongues também eram mestres na arte da camuflagem e desenvolveram e construíram incontáveis armadilhas na floresta. Essa combinação de guerra subterrânea e táticas de emboscada contribuiu significativamente para frustrar os planos americanos e impedir uma vitória rápida na guerra, tornando os túneis um símbolo duradouro da resistência vietnamita.

Assim que cruzamos os portões do complexo histórico de Cu Chi, seguimos por uma trilha em meio à mata densa até as primeiras paradas do trajeto. A imersão começou quando encontramos um dos acessos camuflados: um pequeno buraco no chão, onde os vietcongues se escondiam estrategicamente para realizar ataques surpresa.

Durante a visita, compreendemos a engenhosidade por trás do sistema de ventilação, cujas saídas eram disfarçadas de cupinzeiros para evitar a detecção pelos americanos.

Além disso, conhecemos as inúmeras e fatais armadilhas projetadas pelos guerrilheiros, em contraste com o armamento pesado e a tecnologia militar exibida pelos Estados Unidos durante o conflito.


O ponto alto foi a experiência de adentrar os próprios túneis. Estreitos e claustrofóbicos, eles revelam a clara vantagem tática dos vietcongues, cujo biotipo menor permitia uma mobilidade que os soldados americanos simplesmente não conseguiam replicar.

A imersão histórica nos túneis consumiu aproximadamente duas horas. Para mim, um entusiasta confesso da história da Guerra do Vietnã, este tour se destacou como, sem dúvida, um dos mais interessantes de toda a nossa jornada no país.
Depois de conhecer os túneis, fizemos uma parada em um tradicional restaurante vietnamita, onde pudemos degustar da culinária tradicional da região sul do país.
Deixamos o restaurante e dirigimos por 100 quilômetros em cerca de duas horas e meia. Finalmente, chegamos ao nosso segundo ponto alto do dia: a Região do Delta do Mekong. O Delta do Mekong, uma vasta e exuberante rede de rios e canais no sul do Vietnã, é uma das regiões hidrológicas e culturais mais ricas do Sudeste Asiático. Formado pela foz do imponente Rio Mekong antes de desaguar no Mar da China, é conhecida como o "tigre de nove caudas", o nome vietnamita para os nove braços do rio. O local é considerado o celeiro do país, pois fornece a maior parte do arroz e dos produtos agrícolas do Vietnã. A vida aqui é intrinsecamente ligada à água, com comunidades inteiras vivendo em casas flutuantes, utilizando o rio como principal meio de transporte e comércio. A paisagem é dominada por campos de arroz verde-esmeralda, pomares de frutas tropicais e florestas fechadas.
Para vivenciar a autêntica atmosfera do Delta do Mekong, seguimos até a cidade de My Tho (Mỹ Tho), o ponto de partida ideal para explorar a região. Nosso ônibus nos deixou no moderno Porto de Cruzeiros de Mỹ Tho (Cảng Du Thuyền Mỹ Tho), onde embarcamos em uma travessia pelo imponente Rio Mekong rumo ao coração do Delta.

Nossa primeira imersão cultural foi em uma pequena manufatura local de derivados de coco. Lá, acompanhamos de perto o processo artesanal de fabricação das famosas balas de coco e, claro, não resistimos a prová-las ainda frescas.


A poucos metros dali, fizemos nossa segunda parada para degustar o tradicional chá de mel, outro produto emblemático da região. A experiência foi interativa: além do sabor, tivemos a oportunidade de segurar e bater fotos com um favo repleto de abelhas.


O roteiro seguiu para um refúgio acolhedor onde fomos servidos com frutas típicas da estação. Enquanto saboreávamos os frutos, fomos envolvidos pelos acordes da música tradicional vietnamita, interpretada por locais trajando vestes típicas. Foi também o momento de provar o exótico vinho de cobra (Rượu rắn), uma iguaria de sabor, digamos, bastante peculiar e desafiador.

Para encerrar com chave de ouro, navegamos pelos canais sinuosos do Delta a bordo de uma sampana, o barco tradicional remado pelos habitantes locais. Deslizar por aquelas águas ladeadas por densas palmeiras foi, sem dúvida, o ponto mais emocionante da nossa jornada.

Ao concluir nossa memorável jornada pelo Delta do Mekong, iniciamos a viagem de volta a Ho Chi Minh. Após aproximadamente duas horas e meia de estrada, chegamos ao nosso hotel por volta das sete da noite, marcando o fim de nosso último dia de aventuras neste país fascinante. Foi um adeus agridoce ao Vietnã, uma terra de paisagens impressionantes e arquitetura histórica. Acima de tudo, levaremos a lembrança das pessoas alegres e resilientes e da cultura riquíssima que tornaram esta experiência verdadeiramente inesquecível.


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