Hoi An, a cidade das lanternas
- blogviajantee

- 18 de jan.
- 7 min de leitura
Um roteiro de um dia conhecendo uma das mais encantadoras cidades do sudeste asiático.
Hoi An é uma cativante cidade histórica, localizada às margens do Rio Thu Bon, na costa central do Vietnã. Lar de pouco mais de 80 mil habitantes, a fama internacional da cidade se deve principalmente ao seu núcleo urbano, uma das joias mais bem preservadas do Sudeste Asiático, e oficialmente reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1999.
Suas raízes históricas são profundas, remontando ao antigo Reino de Champa, civilização que exerceu domínio sobre a região entre os séculos IV e XIII. Contudo, o verdadeiro apogeu de Hoi An começou a se delinear a partir do século XV, quando sua localização estratégica na foz do Rio Thu Bon a estabeleceu como um entreposto comercial crucial no Vietnã central. Entre os séculos XVI e XIX, sob a Dinastia Nguyen, a cidade floresceu como um dos principais portos de comércio da Ásia e era conhecida pelos comerciantes ocidentais como "Faifo". Sua importância nas rotas marítimas atraiu mercadores de diversas partes do mundo, resultando em uma rica fusão de influências culturais que moldaram sua arquitetura e tradições.
Além de sua relevância histórica, o toque de magia de Hoi An reside nas milhares de lanternas que a adornam e a iluminam ao anoitecer, transformando o centro histórico em um cenário de conto de fadas. A experiência sensorial da cidade se completa com sua deliciosa culinária, que conta com pratos típicos e lendários, que experimentamos em nossa visita.

Para chegar a Hoi An, partimos do Aeroporto de Noi Bai (HAN), em Hanói. O voo, que durou pouco mais de uma hora, sofreu um pequeno atraso, fazendo com que chegássemos ao Aeroporto de Da Nang (DAD) já tarde da noite. De lá, seguimos em um transfer previamente agendado com o Maichi Villa Hoi An, nosso refúgio pelas próximas duas noites. O trajeto até a encantadora Hoi An levou cerca de 45 minutos e custou 640 mil dongs (valor que já incluía o retorno ao aeroporto). Devido ao horário, aproveitamos para descansar e guardar a ansiedade de desbravar a cidade para os dias seguintes.
No dia seguinte decimos conhecer o Parque Ba Na Hills em Da Nang, mas sobre essa experiência dediquei um post exclusivo: Parque Ba Na Hills.
Retornamos do parque no final da tarde, mas a energia de Hoi An nos convidou a sair novamente. Decidimos caminhar até o centro histórico para desfrutar de uma autêntica massagem vietnamita. Como o Sudeste Asiático é famoso por oferecer terapias excepcionais a preços acessíveis, nunca perdemos a chance de vivenciar os costumes locais. A técnica vietnamita, conhecida por focar na circulação sanguínea e no relaxamento muscular profundo com movimentos vigorosos, nos custou apenas 500 mil dongs para o casal, um excelente custo-benefício.
Após fazer a massagem, a noite já começava a surgir em Hoi An, era hora de vivenciar uma das experiências mais místicas da cidade: o passeio de barco noturno pelo Rio Hoai, um afluente do Rio Thu Bon, onde pudemos flutuar lanternas coloridas. Esta atividade possui um belo significado cultural: acender e lançar uma lanterna na água é um ato de oração por sorte, paz e felicidade, afastando as preocupações e atraindo boa fortuna.

Para realizar o passeio, nos dirigimos ao cais localizado na Rua Bach Dang (Đường Bạch Đằng), onde os barqueiros, com seus barcos tradicionais de madeira, aguardam os turistas. Esta experiência linda e inesquecível teve a duração de cerca de 20 minutos e nos custou 170 mil dongs para duas pessoas. Ainda pagamos mais 10 mil dongs para comprar uma lanterna, que nos foi ofertada por uma vendedora local na rua mesmo.

Para encerrar a noite, cruzamos a bela Ponte das Lanternas (Cầu Ấn Hội) e escolhemos o restaurante Nguyen Tuyen para degustar duas das maiores relíquias gastronômicas da região.

Provamos o Cao Lau, prato à base de macarrão de arroz e porco, envolto em uma lenda que diz que sua massa só atinge a textura ideal se preparada com a água de um poço específico da cidade. Também pedimos os Bolinhos de Rosa Branca (Bánh Bao Vạc), delicadas trouxinhas de arroz cozidas no vapor e recheadas com camarão, cujo formato artístico remete à flor que lhes dá o nome. Para acompanhar esses deliciosos pratos, uma leve e refrescante cerveja local, a Larue.

Em nosso primeiro dia completo em Hoi An, deixamos o hotel ainda cedo pela manhã. Fizemos uma parada na Cafeteria Ubebe para tomar um refrescante café gelado de coco (Cà Phê Cốt Dừa). Para acompanhar, pedimos o delicioso Bánh Mì, o tradicional sanduíche vietnamita em baguete, um legado da época da dominação francesa na região.

Nossa parada seguinte foi em um dos quiosques da cidade, onde adquirimos o Bilhete Combinado de Hoi An. Este ingresso custa 120 mil dongs por pessoa e garante acesso a até cinco atrações históricas na Cidade Antiga.
Com o ingresso adquirido, nossa primeira parada do dia foi a Antiga Casa de Phung Hung (Nhà cổ Phùng Hưng), localizada a apenas 550 metros do nosso hotel. Este é um dos marcos históricos mais importantes de Hoi An, construído por volta de 1780 por um rico comerciante vietnamita durante o auge do porto comercial da cidade. Sua arquitetura é um notável exemplo de fusão cultural, combinando elementos de design do Vietnã, China e Japão. A casa é dividida em dois andares: o térreo era originalmente o estabelecimento comercial da família, servindo como loja de especiarias e mercadorias, enquanto o piso superior abriga a residência e um pequeno templo de adoração aos ancestrais da família. Um fato notável é que os atuais donos desta histórica casa são os descendentes diretos do comerciante que a construiu.

A poucos passos da casa, chegamos ao marco turístico mais emblemático de Hoi An, a Ponte Japonesa Coberta (Chùa Cầu). Com 18 metros de comprimento, sua construção ocorreu entre 1593 e 1595 pelas mãos de comerciantes japoneses, com o objetivo de conectar o enclave japonês da cidade.

Em 1653, um templo foi erguido no topo da ponte como forma de apaziguar o monstro Namazu, que, segundo a mitologia japonesa, era o responsável por causar terremotos. No interior do templo, podem ser vistas estátuas de um cão e um macaco que representam os deuses associados a esses animais, responsáveis por controlar o monstro Namazu. Ao longo de sua história, a ponte passou por várias reconstruções e restaurações, sendo a última grande intervenção concluída no ano de 2024.
Caminhamos pouco mais de 200 metros até nosso próximo destino: a Antiga Casa de Tan Ky (Nhà cổ Tấn Ký), mais um exemplo notável das casas antigas e bem preservadas de Hoi An. Construída em 1741, esta residência histórica pertence à Família Le, que a mantém sob sua propriedade há várias gerações. Assim como a Casa de Phung Hung, sua arquitetura é um testemunho da história de Hoi An, combinando harmoniosamente estilos japonês, vietnamita e chinês.

Mais 400 metros de caminhada, dessa vez para chegar ao Salão de Assembleia de Fujian (Hội Quán Phúc Kiến). Esse é um grandioso centro cultural e espiritual, legado da comunidade de comerciantes chineses vindos da província de Fujian, na China. Construído originalmente como um pagode budista vietnamita por volta de 1697, ele foi transformado em Salão de Assembleia no século XVIII. Notável por sua rica arquitetura, cores vibrantes e entalhes elaborados, o local serve como ponto de adoração, sendo dedicado à deusa do mar Thien Hau, a divindade protetora dos navegantes e mercadores.


Logo na sequência conhecemos o belo Salão de Assembleia de Quang Trieu (Hội Quán Quảng Đông). Sua construção data de 1885 por comerciantes chineses vindos de Guangdong, que utilizaram o espaço tanto como um centro de apoio comunitário para imigrantes e marinheiros, quanto como um local de culto. Um dos elementos mais famosos do local é a imponente fonte de dragão feita de cerâmica colorida no pátio central, baseada na lenda da "Carpa que se transforma em Dragão", simbolizando perseverança e sucesso.

Partimos do centro histórico de Hoi An a bordo de um barco de madeira, navegando pelo Rio Thu Bon em um curto trajeto de 15 minutos até a Vila de Cam Thanh. O local é famoso por abrigar a Floresta de Coqueiros de Bay Mau, cujas raízes remontam à virada do século XVIII para o XIX, quando migrantes do sul introduziram as palmeiras Nipa. Graças à lama e às águas salobras do estuário, a vegetação prosperou rapidamente. Embora o nome "Bay Mau" signifique "Sete Hectares", uma referência à sua extensão original, a reserva hoje é vastamente maior.

Além de sua beleza natural, a floresta guarda um legado histórico fundamental: durante a Guerra do Vietnã, ela serviu como base estratégica para o Viet Cong. Apelidada de "Muro Verde" (Bức Tường Xanh), sua densa vegetação oferecia esconderijo e rotas seguras para acampamentos e suprimentos. Nesse período, os moradores locais desempenharam um papel vital, utilizando os tradicionais barcos-cesto (thúng chài) para transportar informações e provisões. tamanha importância e beleza renderam à vila o reconhecimento da revista Forbes, que a listou como uma das 50 mais bonitas do mundo.
Nosso foco ao chegar foi o clássico passeio nos barcos-cesto. Contratamos o tour ainda no centro de Hoi An por 400 mil dongs por pessoa, valor que já incluía o transporte fluvial até a vila. A experiência foi vibrante: navegamos pelos canais e assistimos à famosa performance de "giro", onde os barqueiros demonstram uma habilidade impressionante ao rodopiar as embarcações. Antes de retornarmos, ainda recebemos do nosso barqueiro, o Tong, delicados souvenirs feitos de folhas de coqueiro, e adquirimos, por 100 mil dongs, a foto impressa para registrar o momento.

O final da tarde marcou o momento de deixar Hoi An. Pegamos nossas malas no hotel e nos dirigirmos ao aeroporto. Próxima parada: cidade de Ho Chi Mihn.


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