Malé, a capital das Maldivas
- blogviajantee

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Um roteiro de meio dia pela mais importante e populosa cidade do país.
Quando pensamos nas Maldivas, a mente projeta imediatamente bangalôs sobre águas cristalinas e isolamento total. É difícil imaginar alguém vindo às Maldivas com o objetivo de visitar sua capital, Malé (localizada no Atol de Kaafu, mais precisamente em Malé do Norte), que frequentemente fica fora do roteiro principal. No entanto, decidimos quebrar o protocolo e incluir meio dia na antiga "Ilha do Rei", nome pelo qual era conhecida por ser, historicamente, a cidade real de onde as dinastias governavam o arquipélago. Mesmo chegando com expectativas baixas e preparados para o caos urbano, fomos surpreendidos por uma cidade vibrante que pulsa autenticidade. Malé nos impactou positivamente, revelando um lado das Maldivas que o luxo dos atóis raramente deixa transparecer. Atualmente, a capital é composta administrativamente por sete distritos distribuídos em diferentes ilhas: os quatro distritos históricos que formam a ilha principal de Malé (Henveiru, Galolhu, Machchangolhi e Maafannu), a moderna ilha artificial de Hulhumalé (a qual dedicarei um post específico), a ilha-aeroporto de Hulhulé e a tranquila e arborizada Vilimalé. Toda essa estrutura abriga aproximadamente 212 mil habitantes espremidos em pouco mais de 8 km², fazendo desta uma das cidades mais densamente povoadas do mundo. Além disso, existem duas outras pequenas ilhas localizadas geograficamente muito próximas a Malé, mas que não pertencem administrativamente à capital. A primeira é Funadhoo, usada quase exclusivamente para o armazenamento de combustível pela estatal STO; a segunda é Dhoonidhoo, que serve como ilha-prisão e centro de detenção da polícia das Maldivas.
Após nos despedirmos da paradisíaca Ilha de Dhigurah, embarcamos na lancha rápida (speedboat) das 13h (ao custo de 60 dólares por pessoa) rumo à capital, Malé. Chegamos por volta das 15h na ilha de Hulhulé, onde fica o aeroporto, e fomos prontamente recebidos pelo transfer cortesia do hotel. Em apenas 20 minutos, atravessamos a importante ponte Sinamalé que liga Hulhulé à ilha de Malé, e chegamos em nossa acomodação para a última noite nas Maldivas, o Unima Grand.
Após realizarmos o check-in e deixarmos as malas no hotel, caminhamos por cerca de um quilômetro até chegarmos à Praça da República (Republic Square). O destaque do local é a enorme bandeira das Maldivas; um ponto turístico obrigatório para fotos que não poderíamos deixar passar.

Uma curta caminhada nos levou ao Centro Islâmico de Malé, onde se encontra a Grande Mesquita do Sultão Muhammad Thakurufaanu al-Auzam (Masjid-al-Sultan Muhammad Thakurufaanu al-Auzam). Verdadeiro cartão-postal das Maldivas, a mesquita encanta pela sua icônica cúpula dourada, que domina o horizonte da capital desde sua inauguração em 1984. O monumento é uma homenagem ao maior herói da nação, o Sultão Muhammad Thakurufaanu, o 'Libertador'. Após oito anos de uma estratégica guerra de guerrilha a bordo de seu lendário barco Kalhuohfummi, ele liderou a revolta que expulsou os colonizadores portugueses em 1573. Sua vitória encerrou 15 anos de dominação estrangeira e tentativas de conversão religiosa, garantindo a soberania do arquipélago. Por seu feito heroico, ele foi aclamado Sultão naquele mesmo ano, iniciando um reinado marcado pela unificação do país.
Após contemplarmos o exterior da mesquita, atravessamos a rua para explorar o Parque do Sultão (Sultan Park). Em uma capital tão densamente povoada quanto Malé, foi uma surpresa encontrar esse pequeno refúgio verde em meio à selva de concreto. O parque é, na verdade, um local de grande valor histórico, pois ocupa os antigos jardins do Palácio Real das Maldivas, que foi demolido na década de 1960. Além disso, o parque abriga o Museu Nacional das Maldivas, que infelizmente já estava fechado quando passamos pelo local.
Ao deixarmos o parque, caminhamos menos de cem metros até chegar à Mesquita de Sexta-Feira (Hukuru Miskiy), indiscutivelmente o ponto histórico mais fascinante de Malé. Construída entre 1656 e 1658, ela detém o título de mesquita mais antiga do país, destacando-se por sua arquitetura única. O local carrega uma ancestralidade profunda: a estrutura atual foi erguida sobre os alicerces de uma antiga mesquita de 1153, datada do reinado do Sultão Dhovemi, o primeiro monarca muçulmano das Maldivas.

Logo em frente à mesquita, encontramos o Muliaage, o Palácio Presidencial das Maldivas. Com sua fachada azul e branca, o edifício é um exemplar charmoso da arquitetura colonial do início do século XX. Sua história é curiosa: a construção foi concluída em 1919 para ser a residência do filho do Sultão Muhammad Shamsuddeen III, mas, devido à deposição do monarca, o palácio nunca chegou a cumprir seu propósito original de moradia real. Com a proclamação da República em 1968, o edifício foi convertido em residência oficial do presidente das Maldivas, função que desempenha até os dias atuais.

Nossos próximos pontos de interesse em Malé eram seus vibrantes mercados. Para alcançá-los, seguimos pela Boduthakurufaanu Magu, a principal avenida da capital, que margeia a orla e pulsa com o ritmo da cidade. Foi caminhando nessa rua, junto ao Terminal de Ferrys, que encontramos um pequeno grupo de três integrantes, de alguma espécie de Arraia Diabo, nadando esplendorosas na água cristalina.

Nosso primeiro mercado em Malé foi o Mercado Local, um verdadeiro mosaico de cores e aromas tropicais. O grande destaque aqui são as frutas e legumes frescos cultivados nos diversos atóis, além de vários tipos diferentes de peixe seco.

E foi em uma destas barraquinhas de peixe seco que conhecemos o Ahmed, um apaixonado pela seleção brasileira de futebol e fã do Neymar.

Além disso, no final do mercado diariamente vendedores de peixe despejam os restos de peixe na água do oceano. Atraídas pela comida, um número enorme de Arraias Chicote Rosa (Pateobatis fai) vem ao local se alimentar e fazem a alegria dos turistas.

Na sequência, encontramos o Mercado de Peixe, o coração econômico e cultural da ilha.

O dia já começava a dar lugar à noite, mas ainda tínhamos uma última atração para ver na cidade: a Mesquita Rei Salman, a maior das Maldivas. Chegamos a ela logo após visitarmos o mercado de peixes da cidade, tendo caminhado cerca de 1,5 quilômetro pela orla marítima. O local foi construído entre os anos de 2018 e 2021, sendo um presente da Arábia Saudita ao povo maldivo. Seu nome homenageia justamente o monarca saudita Salman bin Abdulaziz Al Saud.

A mesquita marcou o encerramento de nossa visita à capital maldiva. Embora o plano original fosse deixar o país no dia seguinte, o agravamento das tensões geopolíticas no início de março de 2026, com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, resultou no cancelamento do nosso voo. Acabamos estendendo nossa permanência por mais oito dias nas Maldivas, um tempo inesperado que aproveitamos para explorar outras ilhas do arquipélago.


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