Thulusdhoo, a capital do surfe nas Maldivas
- blogviajantee

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Atualizado: há 20 horas
Um roteiro de dois dias e meio pela ilha onde se produz a única Coca-Cola feita com água do mar.
Localizada no coração do Atol de Malé do Norte, a ilha de Thulusdhoo revela-se como um dos destinos mais autênticos e vibrantes de todo o arquipélago das Maldivas. Com uma extensão de aproximadamente 1.600 metros de comprimento por 600 metros de largura, a ilha está distante cerca de 28 quilômetros da capital Malé e abriga uma população acolhedora de 1.800 habitantes. O local pulsa com uma energia única, onde a rotina tranquila dos moradores se mistura harmoniosamente ao espírito de aventura dos viajantes.

Uma das curiosidades mais marcantes da ilha é a sua relação histórica com a indústria, já que ela ostenta a única fábrica da Coca-Cola no mundo que utiliza água do mar dessalinizada em sua produção. Caminhando por suas praias, é possível testemunhar a vida marinha local, com pequenos tubarões e arraias nadando calmamente nas águas rasas, enquanto a ativa carpintaria naval de fabricação e reparo de barcos, junto à tradição da secagem de peixes, mantém viva a essência cultural desta joia maldiva.
Por fim, Thulusdhoo é mundialmente reconhecida como um santuário do surfe das Maldivas, servindo de base estratégica para acessar duas das ondas mais icônicas do Oceano Índico: a potente direita de Cokes, que quebra na vizinha e quase anexa Ilhota de Furaagandu, e a longa esquerda de Chickens, situada logo ao norte, na Ilha privada de Viligilimathidhahuraa (onde hoje se localiza o Kuda Villingili Resort).

Diferente da forma como acessamos as outras ilhas nas Maldivas, desta vez optamos por uma experiência mais autêntica e econômica: trocamos a lancha rápida (speedboat) pela lancha local. Pela manhã, nos deslocamos até o Terminal de Henveiru, na Ilha de Malé, onde adquirimos os bilhetes por apenas 22 rufiyaas por pessoa. Nossa lancha partiu pontualmente às 14h30 e, após uma navegação tranquila, atracamos no píer de Thulusdhoo cerca de duas horas depois, às 16h30. Um pequeno atraso de 30 minutos em relação ao itinerário previsto, mas que em nada tirou o brilho da chegada.

Já no píer, fomos recebidos pelo transfer do Hotel Midsummer, nossa escolha de hospedagem para as próximas três noites na ilha. Ao chegarmos, fomos muito bem acolhidos pelo Rafiq, o anfitrião local, que nos auxiliou com um check-in ágil para que pudéssemos começar logo a explorar os encantos de Thulusdhoo.

Mesmo sendo final de tarde, a ansiedade para descobrir a ilha falou mais alto. Fizemos uma curta caminhada de menos de 300 metros até a Bikini Beach, a área dedicada onde é permitido o uso de trajes de banho ocidentais. O cenário é vibrante, com algumas opções de esportes aquáticos, como aluguel de jet ski, além de várias espreguiçadeiras gratuitas à disposição dos turistas que visitam a ilha, perfeitas para relaxar e absorver a atmosfera local.

Encerramos o dia com um passeio pelo Walkway Jetty, o longo píer situado na extremidade norte da ilha que avança mar adentro, proporcionando um cenário perfeito para observar o movimento dos peixes coloridos sob as águas cristalinas.
Na manhã seguinte, após um delicioso café da manhã em nosso hotel, voltamos à Bikini Beach para relaxar. A praia é cercada por um muro de contenção de rochas, que desempenha um papel fundamental na proteção da costa contra a força das marés, garantindo que a faixa de areia e as águas rasas permaneçam calmas para o banho.

É justamente entre as fendas dessas pedras que encontramos diversos Caranguejos Aratu da Pedra (Grapsus albolineatus), que se movem com agilidade impressionante e colorem o cenário com seus tons avermelhados. Sobre a praia, ela é bem estruturada, com espreguiçadeiras, guarda-sóis e redes que podem ser usadas gratuitamente, além de restaurante diretamente na areia.

Após o almoço, caminhamos até a região centro-norte da ilha para visitar a fábrica da Coca-Cola. Esta unidade é estratégica, pois produz não apenas o refrigerante homônimo, mas também outros produtos da companhia que são distribuídos por todo o arquipélago das Maldivas. Com um quadro de mais de 180 funcionários, a planta opera com uma capacidade impressionante, envasando cerca de 18 mil unidades por hora.
Tivemos a oportunidade de participar de um tour gratuito, que começou pontualmente às 14h30 e durou cerca de uma hora. Durante a visita, descobrimos as particularidades da fabricação local e, ao final, fomos presenteados com uma Coca-Cola bem gelada, um alento indispensável para o calor intenso daquela tarde.

Com o final de tarde se aproximando, caminhamos até a parte sul da ilha, onde está a famosa "Grande Muralha de Thulusdhoo" (Great Wall), um muro de contenção que protege a ilha contra a força do oceano.

Seguimos para leste margeando a muralha até encontrarmos a pequena ilhota de Furaagandu.

Para chegar à ilhota, utilizamos a ponte de madeira que a conecta com Thulusdhoo.

Ao cruzar a ponte e pisar naquela terra de vegetação densa, estávamos diante de um cenário lendário: é ali que quebra a Cokes, uma das ondas mais icônicas das Maldivas, batizada em homenagem à produção da Coca-Cola em Thulusdhoo.

Após explorarmos pequenas trilhas rústicas de Furaagandu, retornamos ao centrinho de Thulusdhoo. Para fechar o dia, paramos em uma barraquinha de rua e garantimos o nosso Huvadhoo Bon'di, o doce mais tradicional do país. Feito artesanalmente com coco e mel de palmeira, ele vem cuidadosamente embrulhado em folha de bananeira seca, um verdadeiro pedaço da cultura local.

Em nosso último dia completo em Thulusdhoo, deixamos o hotel logo após o café da manhã para uma caminhada de 1,5 quilômetro para passar o dia naquela que ouso dizer ser a praia mais deslumbrante da ilha: a Praia do Sonho (Dream Beach). Diferente de outras ilhas que contam com apenas uma "Bikini Beach", Thulusdhoo oferece duas, sendo a Dream Beach a segunda delas.
O cenário é simplesmente espetacular, exibindo uma areia branquíssima e águas de azul cristalino; ao olhar para o horizonte, torna-se difícil distinguir onde termina o oceano e começa o céu. Contudo, o ponto alto não foi apenas a beleza, mas o fato de que, ao chegarmos por volta das 8h30, a praia estava completamente deserta, disponível exclusivamente para nós. Vale ressaltar que, por sua característica preservada, não existe estrutura de bares ou restaurantes nas proximidades.

Após um dia maravilhoso relaxando na surreal Praia do Sonho, chegou a hora de nos despedirmos desta ilha que, embora não estivesse em nossos planos iniciais, nos surpreendeu positivamente. Thulusdhoo nos cativou não apenas pela praticidade de estar bem próxima à capital, mas também por sua atmosfera autêntica; arrisco dizer que foi a ilha com a vivência mais "local" entre todas que visitamos nas Maldivas.

Na manhã seguinte, às 8h, embarcamos em uma lancha rápida (speedboat) rumo à Ilha de Hulhulé (25 dólares por pessoa), para de lá seguir até nosso último destino nas Maldivas, a artificial Ilha de Hulhumalé. Mas isso já é assunto para o próximo post!


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