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Seul, a tecnológica, organizada e eficiente capital da Coreia do Sul

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    blogviajantee
  • há 7 horas
  • 10 min de leitura

Um roteiro de dois dias entre palácios ancestrais e horizontes futuristas em uma das mais fascinantes metrópoles do mundo.

Seul, a vibrante capital da Coreia do Sul, é uma metrópole fascinante que abriga cerca de 9,6 milhões de habitantes, consolidando-se como o coração pulsante de um dos países pertencente ao grupo dos Tigres Asiáticos. Sua trajetória como centro político começou em 1394, quando foi estabelecida como capital da Dinastia Joseon sob o nome de Hanyang, sendo protegida por imponentes muralhas de pedra que ainda hoje podem ser visitadas. Essa herança de rápido crescimento econômico, conhecido como o 'Milagre do Rio Han', que transformou a cidade de uma capital devastada pela guerra em uma potência global em poucas décadas, é visível em seus imponentes arranha-céus, que dividem o horizonte com palácios seculares onde ainda é muito comum ver locais e turistas vestindo o Hanbok, a belíssima roupa tradicional coreana que colore as ruas históricas. A cidade é harmonicamente cortada pelo majestoso Rio Han, que não apenas divide as zonas norte e sul, mas serve como um enorme centro de lazer ao ar livre para a população. Além de ser um polo tecnológico global, Seul surpreende pela conveniência de seus serviços, como um dos sistemas de metrô mais eficientes do mundo e uma conexão de internet ultrarrápida presente em cada esquina. Entre suas curiosidades, destaca-se a montanha Namsan, situada bem no centro da cidade, e a cultura gastronômica das 'tent-bars' (pojangmacha), que oferecem uma experiência autêntica em meio ao ritmo acelerado de uma capital que nunca dorme e que equilibra perfeitamente o ultra-moderno com o respeito profundo às suas raízes ancestrais.


Um dos edifícios que compõem o Complexo do Palácio Gyeongbokgung
Um dos edifícios que compõem o Complexo do Palácio Gyeongbokgung

No início de janeiro de 2026, após uma viagem pelo Vietnã, fizemos uma escala de dois dias em Seul antes de retornarmos à Alemanha. Partimos do Aeroporto de Ho Chi Minh (SGN) em um voo de cinco horas pela companhia Asiana, com destino ao Aeroporto Internacional de Incheon (ICN). Como chegamos à noite, a logística de entrada na Coreia do Sul foi facilitada pelos documentos que preenchemos previamente de forma online. Apresentamos o K-ETA, obrigatório para cidadãos brasileiros, porém isento para cidadãos italianos, solicitado pelo site k-eta.go.kr ao custo de 10.306 won sul-coreanos. Além disso, para agilizar a imigração e o controle sanitário, portávamos o Q-Code, emitido em qcode.kdca.go.kr, e o e-Arrival Card, obtido através do portal e-arrivalcard.go.kr. Ter toda essa documentação digital em mãos tornou o processo de entrada no país muito mais rápido e organizado

Após concluirmos a imigração, buscamos um caixa eletrônico para sacar um pouco de dinheiro local, e com os primeiros won na carteira, paramos em uma loja de conveniência para comprar os cartões T-Money, que custaram 4.000 won cada. Esse cartão seria utilizado nos dias seguintes para nos deslocarmos de metrô e ônibus na cidade. Além disso, aproveitamos para adquirir um chip de celular com dados móveis ilimitados por uma semana, no valor de 10.800 won.

Como nosso voo havia atrasado, e acabamos chegando já próximo da meia noite em Seul, optamos por não utilizar ônibus ou metrô, e pedimos um transfer via aplicativo do Uber, para nos deslocarmos por pouco mais de uma hora até o bairro de Myeongdong, um dos mais famosos e vibrantes de Seul, e onde se localiza nosso hotel para as noites na cidade, o Hi there City Myeongdong. Aproveitamos o tempo dentro do Uber para pegar as primeiras informações sobre a cidade de Seul, com o carismático motorista, o senhor Edward. Nosso transfer do aeroporto até nosso hotel custou 85.200 won.

Na manhã seguinte, partimos para explorar a cidade. Como sabíamos que o Google Maps não funciona plenamente na Coreia, já havíamos baixado o aplicativo do Naver Maps. Como a interface é majoritariamente em coreano, nossa preparação foi essencial, levamos os nomes dos pontos turísticos escritos no idioma local, facilitando a busca ao apenas copiar e colar os destinos no buscador.

Uma caminhada de apenas um quilômetro nos levou ao nosso primeiro destino, um dos “Cinco Grandes Palácios de Seul”, o Palácio Deoksugung (덕수궁). Erguido no século XV como residência do Príncipe Wolsan, o local ganhou relevância histórica após a Guerra Imjin (1592–1598). Na época, o Rei Seonjo, 14º monarca da Dinastia Joseon, utilizou o complexo como moradia temporária por ser uma das poucas estruturas que restaram de pé após as invasões japonesas. O palácio serviu como sede da corte até 1611, atravessando a sucessão de Seonjo para seu filho, Gwanghaegun. Depois de um longo tempo sem grande protagonismo, em 1897 o Imperador Gojong fundou o Império Coreano e escolheu o palácio como residência oficial. Gojong viveu ali até sua morte em 1919, pouco após a ocupação japonesa de 1910. Hoje, o palácio é emoldurado pela famosa estrada de muros de pedra Jeongdong-gil, cenário icônico de dramas coreanos e passeios românticos, apesar da curiosa lenda urbana, que conta que casais que caminham por ali estariam destinados à separação. O ingresso ao palácio custou 1.000 won por pessoa.


Portão de entrada do Palácio Deoksugung
Portão de entrada do Palácio Deoksugung
Palácio Deoksugung
Palácio Deoksugung

Logo em frente ao palácio, erguem-se os imponentes edifícios da Prefeitura de Seul (서울특별시 청사). O complexo cria um contraste fascinante entre o passado e o futuro, com o prédio antigo, uma construção de pedra datada de 1925, harmoniosamente sucedido pela nova prefeitura, uma estrutura moderna com fachada de vidro erguida entre 2008 e 2012.


Prefeitura de Seul
Prefeitura de Seul

Deixamos a frente da prefeitura e de metrô (1.550 won usando o cartão T-Money) nos deslocamos até o Riacho Cheonggyecheon (청계천). Essa é uma das mais belas áreas da cidade, utilizada tanto por locais quanto por turistas para caminhar as margens do icônico riacho, que possui 10,9 quilômetros de comprimento.


Riacho Cheonggyecheon
Riacho Cheonggyecheon

Dessa vez de ônibus (1.500 won com o T-Money), nos deslocamos até o Palácio Gyeonghuigung (경희궁), o segundo dos “Cinco Grandes Plácios” a visitarmos. Esse palácio foi construído no início do século XVII, sendo concluído no ano de 1617, durante o reinado do Rei Gwanghaegun. A entrada ao palácio é gratuita.


Palácio Gyeonghuigung
Palácio Gyeonghuigung

Nosso próximo destino ficava a pouco mais de um quilômetro de distância, mas o rigoroso inverno de Seul nos convenceu a optar novamente pelo conforto do ônibus (1.500 won). Em poucos minutos, desembarcamos na icônica Praça Gwanghwamun para contemplar a Estátua do Rei Sejong, o Grande (세종대왕 동상). Inaugurado em 2009, este imponente monumento de bronze possui 6,2 metros de altura e retrata o monarca sentado serenamente em seu trono. Sejong foi o quarto rei da Dinastia Joseon e é amplamente venerado como o maior líder da história coreana. Seu reinado, entre 1418 e 1450, foi marcado por avanços científicos e culturais extraordinários, sendo sua maior conquista a criação do Hangul, o alfabeto coreano, desenvolvido para aumentar a alfabetização do seu povo.


Estátua do Rei Sejong
Estátua do Rei Sejong

  Era horário do almoço, uma ótima oportunidade para uma das melhores experiências que se pode ter na Coreia: Churrasco Coreano.


Degustando Churrasco Coreano
Degustando Churrasco Coreano

De barriga cheia, dessa vez resolvemos encarar o frio, e caminhar até o Palácio Gyeongbokgung (경복궁). Foram apenas pouco mais de 350 metros até o imenso Portão de Gwanghwamun (광화문), a entrada principal do palácio. O palácio teve sua construção iniciada em 1394, logo após Taejo, o rei fundador da Dinastia Joseon, eleger Hanyang (antigo nome de Seul) como a capital de seu estado. Durante o reinado de Sejong, o palácio foi ampliado e em seu interior o rei desenvolveu o alfabeto coreano. Porém durante as Guerras Imjin, o palácio foi completamente destruído pelos japoneses. Sua reconstrução só aconteceria no final do século XIX, durante o reinado de Gojong. Atualmente esse é considerado o principal dos “Cinco Grande Palácios de Seul”. O ingresso do palácio nos custou 3.000 won por pessoa.


Palácio Gyeongbokgung
Palácio Gyeongbokgung

Logo ao lado do palácio está o Museu Folclórico Nacional da Coreia (국립민속박물관). O grande destaque arquitetônico do museu é, sem dúvida, o seu imponente pagode de cinco andares, construído em 1972, que faz parte da estrutura principal do edifício. Essa construção icônica foi inspirada no Palsangjeon do Templo Beopjusa, o único pagode de madeira sobrevivente na Coreia. Optamos por não entrar no museu.


Museu Folclórico Nacional da Coreia
Museu Folclórico Nacional da Coreia

Ao deixarmos o museu, seguimos em direção à Vila Bukchon Hanok (북촌한옥마을), um dos refúgios históricos mais preservados de Seul. Caminhar por entre centenas de hanoks, as casas tradicionais coreanas, foi uma experiência interessante, como se fôssemos transportados diretamente para o passado, durante a época em que a Dinastia Joseon governava a Coreia.

Ao deixarmos a vila no período da tarde, pegamos um ônibus (1.200 won com o T-Money) para conhecer os dois últimos dos 'Cinco Grandes Palácios'. O primeiro destino foi o Palácio Changdeokgung (창덕궁), o único do conjunto a integrar a lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO, desde 1997. Erguido originalmente em 1405, sob o reinado de Taejong, o terceiro monarca da Dinastia Joseon, possuía inicialmente o status de palácio secundário em relação ao Gyeongbokgung. Da mesma forma que o palácio principal, o Changdeokgung foi totalmente destruído durante as invasões japonesas nas Guerras Imjin; contudo, sua reconstrução ocorreu antes, em 1610. Naquele ano, ele assumiu a função de palácio principal, título que preservou por cerca de 270 anos, até que o Gyeongbokgung fosse finalmente restaurado no século XIX. O ingresso do palácio nos custou 3.000 won por pessoa.


Palácio Changdeokgung
Palácio Changdeokgung

Prosseguindo com o nosso roteiro, deixamos o Changdeokgung e nos dirigimos ao vizinho Palácio Changgyeonggung (창경궁), cuja entrada custou 1.000 won por pessoa. Construído originalmente em 1483 pelo Rei Seongjong, o nono monarca da Dinastia Joseon, este palácio servia de residência às rainhas e viúvas reais. Durante as invasões japonesas, o complexo sofreu severas destruições e, em períodos mais recentes, enfrentou transformações profundas durante a ocupação colonial, chegando a ser convertido em zoológico e parque público. No entanto, após um meticuloso processo de restauração iniciado na década de 1980, o Changgyeonggung recuperou a sua dignidade histórica. A visita ao Changgyeonggung nos fez concluir a nossa jornada pelos “Cinco Grandes Palácios de Seul”.


Palácio Changgyeonggung
Palácio Changgyeonggung
Palácio Changgyeonggung
Palácio Changgyeonggung
Palácio Changgyeonggung
Palácio Changgyeonggung

Para encerrar o nosso primeiro dia em Seul, pegamos o metrô até Myeongdong (명동) e mergulhamos no verdadeiro 'formigueiro humano' de suas ruas. Embora o bairro tenha sido um reduto da elite no passado, foi entre as décadas de 1960 e 1970 que ele se transformou no epicentro comercial e financeiro da Seul moderna. Ao caminharmos por suas vias vibrantes, somos cercados por infinitas lojas de cosméticos, setor no qual a Coreia do Sul é, hoje, a maior referência mundial, e pelo aroma irresistível das bancas de comida de rua. Em Myeongdong, a história recente da Coreia manifesta-se através do brilho dos neons e de uma energia cosmopolita que nunca dorme, o contraponto perfeito à serenidade dos palácios visitados ao longo do dia.


Banca de comida de rua em Myeongdong
Banca de comida de rua em Myeongdong
Banca de comida de rua em Myeongdong
Banca de comida de rua em Myeongdong

No dia seguinte, logo cedo pegamos um metrô (1.550 won com o T-Money) e seguimos na direção leste até sermos confrontados pela imponência do Portão Heunginjimun (흥인지문). Erguido originalmente em 1398, este monumento, carinhosamente apelidado de Dongdaemun, servia como a principal via de acesso à capital muralhada por quem vinha do oriente. Ao observarmos de perto a sua estrutura atual, resultante de uma reconstrução final em 1869, notamos a singular muralha semicircular externa, uma defesa estratégica que protegia o portão de ataques diretos. Hoje, ele permanece como uma ilha de história digna, cercada pelo fluxo incessante de veículos e pedestres que cruzam o distrito.


Portão Heunginjimun
Portão Heunginjimun

De lá pegamos o metrô com destino a um dos bairros mais icônicos da cidade, o Bairro de Gangnam (강남구). Localizado na margem sul do Rio Han, esse é o epicentro do luxo, da moda e da modernidade em Seul, sendo frequentemente comparado a áreas como Beverly Hills ou Manhattan. Embora já fosse o distrito mais rico e influente da Coreia do Sul, o bairro ganhou fama mundial sem precedentes em 2012 com o hit viral "Gangnam Style", do cantor PSY. A música, que foi o primeiro vídeo da história a atingir 1 bilhão de visualizações no YouTube, satirizava justamente o estilo de vida ostentativo e sofisticado dos frequentadores da região.

Nossa primeira parada no bairro foi na K-Star Road, conhecida em coreano como Hallyu-stauguri (한류스타거리). Esse é o destino favorito dos amantes da cultura pop coreana ou K-pop. Ao longo de cerca de um quilômetro, essa "avenida das estrelas" é decorada pelos famosos Gangnamdols, que são estátuas coloridas em formato de urso representando grandes grupos de K-pop como BTS, EXO e Girls' Generation.


Gangnamdol do BTS na na K-Star Road
Gangnamdol do BTS na na K-Star Road

Após deixar para trás o ritmo frenético e contemporâneo da K-Star Road, cruzar o caminho rumo ao Templo Bongeunsa (봉은사) proporcionou uma experiência semelhante a atravessar um portal temporal. Fundado originalmente no ano de 794, sob o domínio do Rei Wonseong (o 34º monarca do Reino de Silla), este santuário budista passou por uma reconstrução posterior em 1495, já durante a Dinastia Joseon.


Templo Bongeunsa
Templo Bongeunsa

Atualmente, o elemento de maior impacto no local é a colossal Estátua de Maitreya, o Buda do Futuro, que impressiona com seus 23 metros de altura.


Estátua de Maitreya no Templo Bongeunsa
Estátua de Maitreya no Templo Bongeunsa

A uma curta distância de caminhada, chegamos a imponente Escultura Gangnam Style (강남스타일 말춤 동상), localizada em frente ao mais famoso shopping center da cidade, o COEX Mall. A escultura foi inaugurada em 2016, e feita de bronze representa as mãos cruzadas da icônica coreografia do "passo do cavalo", imortalizada pelo artista PSY em 2012. Ao se aproximar da escultura, a famosa música começa a tocar, fazendo a alegria dos visitantes do local.


Escultura Gangnam Style
Escultura Gangnam Style

Entrando no complexo do COEX, chegamos na Biblioteca Starfield (별마당 도서관). Aberta ao público em 2017, esta não é uma biblioteca comum, mas um prodígio arquitetônico no centro de um centro comercial subterrâneo. O olhar é imediatamente atraído para as suas prateleiras gigantescas de 13 metros de altura, que abrigam mais de 50.000 livros sob um teto de vidro que banha o espaço com luz natural.


Biblioteca Starfield
Biblioteca Starfield

Despedimo-nos do vibrante bairro de Gangnam utilizando o metrô até a estação de Myeongdong. De lá, caminhamos alguns metros até a base do Monte Namsan (남산), onde embarcamos no teleférico (15.000 won por pessoa, ida e volta) rumo ao topo. É lá que se ergue a majestosa Torre N Seoul (N서울타워); inaugurada originalmente em 1971 como uma torre de transmissão, ela abriu as suas portas ao público em 1980, consolidando-se como o símbolo máximo da capital. Do mirante junto à torre, que se eleva a 236,7 metros de altura, fomos presenteados com uma das mais belas e abrangentes vistas panorâmicas de Seul.


Torre N Seoul
Torre N Seoul

A torre marcou o ponto final da nossa jornada por esta metrópole, antes de regressarmos ao aeroporto no dia seguinte para nos despedirmos da Coreia. Apesar do frio intenso que enfrentamos na capital, partimos com o coração aquecido e a plena certeza de termos explorado um dos maiores ícones tecnológicos e culturais do nosso planeta.

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