Nova York, uma das mais importantes metrópoles de todo mundo!
- blogviajantee

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Um roteiro de três dias e meio pela mais populosa e icônica cidade dos Estados Unidos da América.
Nova York é, sem sombra de dúvidas, uma das metrópoles mais importantes e vibrantes do mundo. Com cerca de 8,3 milhões de habitantes, ela ostenta o título de cidade mais populosa dos Estados Unidos e é um ícone global de cultura, arquitetura e ritmo acelerado. Famosa por seus icônicos táxis amarelos e por seus arranha-céus colossais, como o Empire State e o One World Trade Center, a cidade carrega apelidos carinhosos. Se hoje a chamamos de "A Cidade Que Nunca Dorme", seu apelido mais clássico é "Grande Maçã" (Big Apple). O termo surgiu na década de 1920 para designar o prêmio principal das corridas de cavalos e foi adotado pelos músicos de Jazz para descrever Nova York como o "grande prêmio" que todos desejavam alcançar.
A história de Nova York começou em 1624, quando foi fundada por colonos holandeses como um posto comercial chamado Nova Amsterdã, na ponta sul de Manhattan. Em 1664, os ingleses assumiram o controle e a renomearam para Nova York, em homenagem ao Duque de York. Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a cidade cresceu como um porto estratégico e o principal portão de entrada para milhões de imigrantes que buscavam o "sonho americano", transformando-a em um caldeirão cultural sem precedentes. Após a consolidação dos cinco distritos (boroughs) em 1898 e a superação de crises e desafios ao longo do século XX, a metrópole consolidou-se como o epicentro financeiro, diplomático e cultural que define o ritmo do mundo moderno.

Em dezembro de 2024, embarcamos em um voo de nove horas partindo do Aeroporto de Frankfurt (FRA) com destino à cidade de Nova York. Desembarcamos no Aeroporto John F. Kennedy (JFK) por volta das 14h e, já com as malas em mãos, utilizamos o AirTrain para chegar à estação de metrô. De lá, seguimos em direção à Ilha de Manhattan, o mais turístico dos cinco distritos (boroughs) da cidade. Para sair da estação do AirTrain, foi necessário pagar uma taxa de US$ 8,50 por pessoa, enquanto o bilhete individual do metrô custou US$ 2,90 cada. Já em Manhattan, caminhamos ao nosso hotel localizado em Downtown, na parte sul da ilha, o DoubleTree by Hilton New York Downtown. Logo após o check-in, apesar de já ser fim de tarde, decidimos iniciar nosso roteiro pela cidade.
De volta ao metrô, seguimos para Midtown para conhecer a Times Square, um dos destinos turísticos mais importantes do mundo e que eu sonhava visitar há muito tempo. Embora já tivesse visto inúmeros vídeos e fotos do local na internet, a experiência de sair da estação e dar de cara com a praça foi impressionante.
A Times Square localiza-se no cruzamento da Broadway com a Sétima Avenida e a 42ª Rua. O local apresenta uma quantidade colossal de outdoors luminosos que exibem propagandas de uma variedade absurda de produtos, simbolizando o capitalismo americano em sua forma mais pura. Curiosamente, o nome do local deve-se ao fato de que, em 1904, a sede do jornal The New York Times mudou-se para um recém-inaugurado arranha-céu de 111 metros de altura situado na praça, edifício hoje conhecido como One Times Square.

Deixamos a movimentada Times Square para conhecer outro ponto icônico da cidade: o Rockefeller Center. Não é novidade que Nova York é mundialmente famosa por seus arranha-céus, e este complexo de 19 edifícios, localizados entre a 48ª e a 51ª Rua, certamente está entre os mais importantes. A construção do complexo foi iniciada em 1930 por John D. Rockefeller Jr., filho de John D. Rockefeller, o patriarca de uma das famílias mais ricas do mundo, os Rockefeller.
Um dos símbolos da relevância histórica do local é a mundialmente famosa fotografia “Almoço no topo de um arranha-céu" (Lunch atop a Skyscraper), que retrata trabalhadores na estrutura de um dos prédios do complexo. Contudo, nosso maior interesse em visitar o local não se restringia à sua história; como já era quase Natal, queríamos ver os símbolos natalinos mais icônicos da cidade: a gigantesca árvore de Natal e a divertida pista de patinação no gelo, instaladas no Rockefeller Center ao final de cada ano. Além disso, no topo do edifício principal (o nº 30 da Rockefeller Plaza), que possui 260 metros de altura, encontra-se o observatório conhecido como Topo da Rocha (Top of the Rock), o qual optamos por não visitar desta vez.

Para fechar nossa primeira noite com chave de ouro, mergulhamos no submundo de Manhattan, literalmente. Encontramos o Bar Nothing Really Matters, um tesouro escondido nas entranhas de uma estação de metrô. Entre o vaivém dos trens, fomos surpreendidos por coquetéis que, sem exagero, entraram para o topo da lista dos melhores que já provamos.

Nosso segundo dia na cidade começou antes mesmo do sol dar as caras. Ao sairmos do hotel, fomos surpreendidos por um cenário mágico: as ruas estavam todas cobertas de neve. Seguimos para o metrô e cruzamos o Rio Leste (East River), deixando Manhattan para trás para explorar as belezas de outro distrito nova-iorquino, o Brooklyn.

Já no Brooklyn, nossa primeira parada foi no bairro Bumbo, onde paramos para algumas fotos no belíssimo mirante, localizado na Rua Washington (Washington Street) e conhecido como Vista da Ponte de Manhattan (Manhattan Bridge View). Essa é uma das mais famosas pontes da cidade, e foi construída entre os anos de 1901 e 1909, possuindo 2089 metros de comprimento.

Do mirante, resolvemos retornar a Manhattan, atravessando novamente o Rio Leste, mas dessa vez a pé e utilizando a icônica Ponte do Brooklyn (Brooklyn Bridge). Essa ponte é a irmã mais velha da Ponte de Manhattan, tendo sido construída entre 1869 e 1883. A ponte oferece lindas vistas para ambos dos seus lados, tanto em direção ao Distrito do Brooklyn, quanto para o Skyline de Manhattan.



Ao deixarmos a ponte, acessamos a estação Brooklyn Bridge-City Hall com destino ao Centro da Cidade (Midtown). Desembarcamos na Grand Central–42nd Street, que oferece conexão direta ao icônico Grande Terminal Central (Grand Central Terminal). Este marco histórico da engenharia teve sua construção iniciada em 1903, levando uma década para ser concluído. Hoje, ostenta o título de maior estação ferroviária do mundo, com 44 plataformas que recebem dezenas de milhões de passageiros anualmente. Localizada no coração de Manhattan, a estação impressiona pelo seu interior grandioso, abrigando uma vasta seleção de lojas e restaurantes.

Colado à estação, ergue-se o One Vanderbilt, o quarto edifício mais alto de Nova York e o 31º do mundo. Construído entre 2016 e 2020, esse gigante de 73 andares e 427 metros de altura abriga em seu topo o SUMMIT One Vanderbilt, um observatório que redefine a experiência de ver a cidade. Com andares repletos de balões prateados e superfícies espelhadas, o local é um paraíso para fotos instagramáveis. De lá, a vista é privilegiada: avistamos o clássico Edifício Chrysler (Chrysler Building), que com seus 77 andares e 319 metros de altura, foi o mais alto do mundo ao ser concluído em 1930; o Edifício Sede das Nações Unidas, localizado às margens do Rio Leste; além do icônico Edifício Empire State (Empire State Building), sobre o qual darei mais detalhes adiante. O investimento para essa experiência inesquecível foi de US$ 43,00 por pessoa.

Após cerca de duas horas no observatório, caminhamos por dez minutos pela 5ª Avenida até alcançarmos a Catedral de São Patrício (St. Patrick’s Cathedral). Considerada a igreja mais importante de Nova York, ela levou duas décadas para ser erguida (de 1858 a 1878) em um deslumbrante estilo neogótico. Com capacidade para 2.400 pessoas, seu interior impressiona pela beleza de seus inúmeros vitrais. Contudo, é o exterior imponente e detalhado que rouba a cena, o que me faz arriscar dizer que esta é uma das cinco igrejas mais bonitas do mundo. O templo homenageia São Patrício, o missionário que introduziu o cristianismo na Irlanda no século V e tornou-se padroeiro do país. Sua memória é celebrada globalmente no dia 17 de março, o Dia de São Patrício (St. Patrick’s Day), quando multidões vestem-se de verde para festejar.

Deixamos a catedral e regressamos à 5ª Avenida para mais uma caminhada de dez minutos, desta vez em direção ao Parque Central (Central Park), o parque urbano mais famoso do planeta. Construído entre 1857 e 1876, esse gigante de 341 hectares recebe milhões de visitantes anualmente e já serviu de cenário para uma infinidade de filmes. Ao cruzarmos uma de suas entradas ao sul, bastaram poucos metros para chegarmos ao Santuário Natural Hallett (Hallett Nature Sanctuary). Trata-se de uma pequena e preservada floresta à beira de uma lagoa conhecida como The Pond, de onde pudemos capturar fotos espetaculares que contrastam a densa vegetação com os imponentes arranha-céus ao fundo.

Mais alguns passos dentro do parque e encontramos a Pista de Patinação Wollman (Wollman Rink), a qual estava sendo utilizada por alguns habilidosos patinadores, e outros nem tão habilidosos também (rsrs).

Cientes de que nossas habilidades como patinadores não eram das melhores, deixamos a pista para trás e logo avistamos os Prados de Ovelhas (Sheep Meadows). Esse extenso gramado, que em dias normais fica repleto de pessoas relaxando e fazendo piqueniques, exibia um cenário bem diferente: estava totalmente coberto de neve. Sob o frio exorbitante, a multidão habitual deu lugar a apenas alguns caminhantes solitários e donos de cães que passeavam com seus pets pelo horizonte branco.
Finalmente chegamos aos Campos de Morango (Strawberry Fields), o emocionante memorial dedicado a John Lennon, eterno integrante dos Beatles. O nome do local é uma homenagem direta à canção "Strawberry Fields Forever", um de seus maiores sucessos. O memorial está estrategicamente situado em frente ao Edifício Dakota, onde o músico residia, e a poucos passos do local exato onde ele foi tragicamente baleado e morto por Mark David Chapman, no dia 8 de dezembro de 1980.


Seguimos explorando o parque, caminhando calmamente à beira de um belo lago até nos depararmos com a icônica Escultura da Alice no País das Maravilhas. Fundida em bronze no ano de 1951, a obra é um verdadeiro mergulho na fantasia, retratando não apenas a protagonista, mas também os inesquecíveis personagens da história: o Chapeleiro Maluco, o Coelho Branco e o Gato de Cheshire.

Para encerrar nosso segundo dia em Nova York, retornamos de metrô ao Brooklyn, desta vez com destino ao Barclays Center, a casa dos Brooklyn Nets, um dos times da Liga Americana de Basquete (NBA). Assistir a uma partida da NBA sempre foi um sonho e, por sorte, o calendário reservava o confronto do Brooklyn Nets contra o Utah Jazz para aquela noite. Surpreendentemente, conseguimos comprar nossos ingressos online a menos de duas horas do início da partida por apenas 60 dólares cada, um valor muito mais acessível e fácil de obter do que para os jogos dos New York Knicks. A estrutura do Barclays Center, com capacidade para 17.732 pessoas, é magnífica, e a atmosfera é simplesmente surreal. Telões gigantescos garantem que nenhum lance de impacto seja perdido e o público vai ao delírio a cada enterrada. Embora o Utah Jazz tenha vencido por 105 a 94, vivenciar de perto essa paixão americana pelo basquete foi uma experiência inesquecível.

Reservamos o nosso terceiro dia para explorar Downtown, no extremo sul de Manhattan, o verdadeiro coração financeiro de Nova York. Por ser uma das áreas mais antigas da metrópole, a região possui um charme histórico único: aqui, o planejamento urbano foge à regra. Diferente das avenidas e ruas numeradas e organizadas de Uptown e Midtown, Downtown nos convida a desbravar um labirinto de ruas com nomes próprios, que contam a história das origens da cidade.
Nossa primeira parada do dia foi no famosíssimo Touro de Wall Street (Charging Bull). Para quem acompanha o mercado financeiro, o animal, que ataca de baixo para cima, simboliza a ascensão da bolsa, motivo pelo qual esta estátua de bronze foi estrategicamente instalada na região. A obra é do italiano Arturo Di Modica, que, em uma ação ousada em 1989, simplesmente descarregou a escultura de um caminhão e a posicionou ilegalmente em frente à Bolsa. Hoje, a estátua de 3.200 quilos fica a algumas quadras do local original e atrai multidões de turistas que enfrentam filas enormes para garantir a clássica foto com os testículos do touro. Por sorte, chegamos cedo e conseguimos nosso registro icônico sem espera alguma.


Após garantirmos nossas fotos com o touro, caminhamos poucos metros até a histórica Igreja da Trindade (Trinity Church). De orientação anglicana, sua estrutura atual foi erguida entre 1839 e 1846, ostentando o título de construção mais alta dos Estados Unidos até 1869, graças à sua imponente torre de 86 metros. O exterior, em um estilo neogótico esplendoroso, é verdadeiramente uma obra de arte no meio dos arranha-céus.

A parada seguinte foi no Edifício da Bolsa de Valores de Nova York (New York Stock Exchange Building) , o grande motivo, que faz a região de Downtown ser conhecida como o distrito financeiro de Nova York. Construído entre 1901 e 1903, este prédio abriga a bolsa de valores mais importante do mundo. Sua fachada monumental, sustentada por colunas imensas, remete imediatamente à imponência dos templos da Grécia Antiga. Logo à frente, encontramos outra figura icônica da região: A Garota Destemida (The Fearless Girl). Criada pela escultora Kristen Visbal, esta obra de bronze de 1,2 metro foi instalada em 2017. Originalmente, ela encarava o enorme Touro de Wall Street como um símbolo da diversidade de gênero, mas acabou transferida para o local atual após reclamações de Arturo Di Modica, o criador do Touro.


Após explorarmos os principais marcos do Distrito Financeiro, caminhamos até o Battery Park, no extremo sul de Manhattan. Nosso destino era a Ilha da Liberdade (Liberty Island), lar do mais icônico monumento dos Estados Unidos: a Estátua da Liberdade (Statue of Liberty). Como havíamos garantido nossos ingressos com bastante antecedência (por US$ 25,30 cada), o processo foi tranquilo. Pontualmente às 8h30, embarcamos no ferry para uma navegação de aproximadamente 15 minutos até a ilha.

À medida que nos aproximávamos da ilha, já podíamos admirar do barco a majestosa Estátua da Liberdade, um presente histórico da França aos Estados Unidos em 1886. O monumento foi projetado pelo escultor Frédéric Auguste Bartholdi, enquanto sua estrutura metálica interna foi erguida pelo célebre Gustave Eiffel, o mesmo engenheiro por trás da Torre Eiffel em Paris. Representando a deusa romana Libertas, a estátua segura uma tocha em uma das mãos e a Declaração de Independência americana na outra. Com seus imponentes 93 metros de altura, o local atrai e fascina milhões de turistas todos os anos.

Retornamos ao ferry para deixar a Ilha da Liberdade e desembarcamos novamente no Battery Park. De lá, seguimos de metrô até a estação WTC Cortlandt, que se interliga a um dos marcos mais modernos de Nova York: O Óculo (The Oculus). Inaugurado em 2016, este terminal de trens futurista foi projetado pelo renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o mesmo gênio por trás do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A semelhança é impressionante; a arquitetura arrojada e o branco da estação remetem imediatamente ao estilo icônico do museu carioca.

Ao deixarmos a estação, bastaram poucos metros para chegarmos ao palco de um dos episódios mais trágicos da história moderna. Guardo memórias vívidas daquele 11 de setembro de 2001; eu era apenas uma criança quando o desenho na TV foi interrompido pela notícia de que terroristas da Al-Qaeda haviam sequestrado quatro aviões. Dois deles atingiram as Torres Gêmeas, outro o Pentágono, e o último caiu em uma zona rural após a brava resistência dos passageiros. O atentado, que vitimou quase 3 mil pessoas e chocou o planeta, culminou na invasão americana ao Afeganistão. Hoje, o horizonte ao redor do memorial se renova com seis novos arranha-céus (numerados de 1 a 7, curiosamente omitindo o número 6 por razões que permanecem um mistério em minhas pesquisas). O protagonista desse novo complexo é o One World Trade Center. Erguido entre 2006 e 2013, o edifício de 546,2 metros de altura ostenta, com imponência, o título de prédio mais alto não apenas de Nova York, mas de todos os Estados Unidos.

Exatamente em frente ao One World Trade Center encontra-se o Marco Zero (Ground Zero), um memorial profundamente tocante dedicado às vítimas da tragédia. No local, duas imensas piscinas ocupam os espaços exatos onde outrora se erguiam as Torres Gêmeas. Em suas bordas de bronze, estão gravados os nomes de cada uma das vítimas, imortalizando suas memórias em um cenário de paz e reflexão.

De volta ao metrô, e com bastante fome, decidimos por nos dirigir ao mais delicioso bairro de Nova York, conhecido como Pequena Itália (Little Italy). Como tenho descendência italiana e sou fascinado pela culinária da Itália, obviamente não poderia deixar esse pequeno bairro, composto por 14 quarteirões, de fora de nosso roteiro.

O bairro que recebeu muitos imigrantes da Itália a partir da década de 1880, claramente nos dias atuais não é mais majoritariamente residido por italianos, mas ainda possui muitos estabelecimentos relacionados ao país da bota, principalmente restaurantes, que servem comida tradicional italiana. Dentre esses restaurantes escolhemos o Sofia's, que serve uma das melhores pizzas que já experimentei, ainda mais acompanhada de um bom vinho Chianti. Um dos meus atores favoritos do cinema hollywoodiano é Robert de Niro, que foi criado por sua mãe no bairro da Pequena Itália. Caminhamos pela rua principal do bairro a Mulberry Street, e registramos algumas fotos do bairro, sempre colorido com as cores da bandeira italiana.

Localizada logo ao lado da Pequena Itália, o bairro de Chinatown de Manhattan foi o destino ideal para encerrarmos mais um dia de roteiro pela cidade. Enquanto a vizinha diminui sua população italiana, a Chinatown nova-iorquina segue em plena ascensão, consolidando Nova York como a detentora da maior população de origem chinesa fora da Ásia. Essa história começou em 1858 com a chegada de Ah Ken, o primeiro imigrante chinês da região. Ao abrir uma pequena venda de cigarros, ele estabeleceu o "ponto zero" do que viria a se tornar o vibrante bairro atual. Hoje, a área é um reduto pulsante da cultura oriental, repleta de mercados, bares e restaurantes típicos. A imersão é tão profunda que até a sinalização das ruas reflete esse bilinguismo, exibindo placas tanto em inglês quanto em mandarim.

No nosso quarto e último dia em Nova York, decidimos focar em marcos arquitetônicos e na modernização urbana que transformou a face da ilha nos últimos anos. Começamos a manhã tomando o metrô até o cruzamento da Broadway com a Quinta Avenida, para admirar o Edifício Flatiron (Flatiron Building). Construído em 1902, seu formato triangular icônico, que lembra um ferro de passar roupas, continua sendo um dos pontos mais fotografados da cidade. No entanto, quando visitamos Nova York, o edifício estava em reformas, o que nos impediu de vê-lo em sua total clareza, mas sua silhueta histórica ainda se impõe de forma única em meio aos novos arranha-céus.

Dali, subimos a Quinta Avenida, a vitrine do luxo nova-iorquina, em direção ao lendário Edifício Empire State (Empire State Building). Como eu havia mencionado antes, este é talvez o edifício mais emblemático do mundo; inaugurado em 1931, ele manteve o título de mais alto do planeta por 40 anos e, mesmo após a construção de novos gigantes, sua antena iluminada em estilo Art Déco permanece como o símbolo máximo da cidade.

Seguimos nossa caminhada até o Madison Square Garden, o ginásio mais famoso do mundo. O que muitos não sabem é que o complexo atual, inaugurado em 1968, é na verdade a quarta versão do Garden e o primeiro a não estar localizado próximo à Madison Square, praça que deu nome ao ginásio. A primeira versão foi inaugurada em 1879, na altura da Rua 26 com a Avenida Madison, e era um local ao ar livre usado principalmente para circos e exposições. Ao longo das décadas, o Garden mudou de endereço e de arquitetura, consolidando-se como o palco de lutas históricas e shows lendários. Hoje, ele é o coração esportivo da cidade, servindo como a casa de dois gigantes: o New York Knicks, um dos times mais tradicionais da NBA (a liga de basquete profissional), e o New York Rangers, uma equipe histórica da NHL (a liga de hóquei no gelo). Para o nova-iorquino, torcer para os Knicks ou para os Rangers no "The Garden" é quase uma religião, e o estádio é considerado a "Meca" do basquete mundial devido à sua atmosfera única.

Saindo do ginásio, caminhamos cerca de 800 metros em direção ao oeste até chegarmos aos Hudson Yards, uma região que passou por uma revitalização ultra moderna e abriga o Vessel. Esta estrutura futurista, composta por 154 lances de escada que se entrelaçam como uma colmeia de abelhas, é um espetáculo visual à parte. Inaugurado em 2019, o monumento rapidamente se tornou um dos novos símbolos de Nova York. Embora o acesso aos andares superiores estivesse restrito durante nossa visita, sua presença imponente na praça central, com seu revestimento cor de cobre, impressiona qualquer um.

Logo ao lado, na base do complexo, acessamos o The High Line para iniciar nossa descida em direção ao sul. O High Line é um parque suspenso construído sobre uma antiga linha férrea desativada; sua transformação foi realizada em etapas entre os anos de 2006 e 2019, quando a última seção (o Spur) foi finalmente inaugurada. O parque possui aproximadamente 2,3 quilômetros de extensão, e é fascinante ver como o paisagismo transformou trilhos industriais em um jardim linear que corta os prédios, oferecendo uma perspectiva única e elevada das ruas do Chelsea, um dos mais charmosos de Manhattan.
Foi justamente durante a caminhada pelo The High Line que pudemos admirar o Edge, o deck de observação ao ar livre mais alto do Hemisfério Ocidental.

Seguindo o fluxo do High Line, deixamos o parque suspenso para adentrar o Chelsea Market, onde decidimos fazer nossa parada para o almoço. Este famoso mercado gastronômico possui uma história fascinante: o complexo de edifícios foi construído entre 1890 e 1913 para abrigar a National Biscuit Company (Nabisco). Foi exatamente nestas instalações que a icônica bolacha Oreo foi inventada e produzida em massa pela primeira vez. Hoje, o mercado é um exemplo brilhante de revitalização urbana, preservando as paredes de tijolos expostos e o estilo industrial original, mas servindo como um paraíso gastronômico com opções que vão de lagostas frescas a tacos artesanais.

Após recarregarmos as energias, aproveitamos a proximidade para visitar a Starbucks Reserve Roastery ali perto. Diferente das lojas comuns da Starbucks, essa é imensa e luxuosa, com enormes silos de cobre e coquetéis à base de café que são verdadeiras obras de arte.
Para encerrar nossa jornada, caminhamos até o Píer 55 para conhecer a Pequena Ilha (Little Island). Construída entre os anos de 2016 e 2021, este parque flutuante sobre o Rio Hudson é uma verdadeira obra-prima da engenharia e do paisagismo, sustentado por 132 estruturas de concreto em formato de tulipas que emergem das águas. O local parece um cenário de filme de fantasia e oferece uma perspectiva nova da cidade.

E assim nos despedimos de Nova York. Foram três dias e meio percorrendo desde os marcos históricos de Downtown até as inovações futuristas dos Hudson Yards, mas a sensação é de que sempre há algo novo a ser descoberto em cada esquina. Essa é uma cidade que nos exigiu fôlego, mas que nos retribuiu com experiências que sem dúvida marcaram nossas vidas. Saímos de lá já planejando o retorno, pois sabemos que o tempo foi curto para tudo o que essa metrópole oferece. Já penso em um dia voltar para essa cidade icônica e conhecer, com calma, todos os pontos turísticos que não tivemos a oportunidade de visitar dessa vez.




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